Não há vagas, não adianta insistir. Se fosse uma empresa, certamente seria este o aviso que seria afixado na frente do cemitério central de
Barra de São Francisco, que tem 36 anos e 9.669 corpos sepultados em todas as covas disponíveis. Para aumentar a capacidade do cemitério sem que precise construir outro, a prefeitura resolveu exumar 33 corpos.
Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Semae), essas sepulturas cumpriram os cinco anos de concessão do espaço e, para que essa licença seja renovada, será necessário o comparecimento de responsáveis – parentes dos mortos – para se manifestarem a respeito.
Caso não haja manifestação de parentes nesse período, a Semae diz que as ossadas serão retiradas e acondicionadas em sacos plásticos, com a devida identificação e sepultadas em vala comum, no próprio cemitério.
Mas por que o cemitério mais importante de Barra de São Francisco ficou sem vagas? A resposta é simples:
Covid-19. Sim, a pandemia provocou um aumento exponencial de sepultamentos nos últimos dois anos, provocando o colapso do local, principalmente no ano passado. Os números falam por si.
Em 2011, há pouco mais de 10 anos, o maior cemitério da cidade do Noroeste do Estado teve 201 sepultamentos. Em 2021, já sob o grande impacto da pandemia, esse número aumentou 64% - 330 enterros.
Em meados do ano passado, para atender à grande demanda de sepultamentos na cidade, o
prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD) chegou a determinar a verticalização do cemitério, com a construção de caixas nas covas, mas a obra está parada. Certamente, porque o mundo dos vivos está demandando outras prioridades, como atender à grande quantidade de pessoas que empobreceram ainda mais na cidade durante a pandemia de Covid.
O último corpo sepultado no cemitério foi de uma adolescente, de 15 anos, que morreu após sofrer um AVC na segunda-feira, dia 28. E continuará sendo o último até que a exumação seja realizada.