O incêndio ocorreu no emaranhado de fios e cabos que se engalfinham no poste, o que exigiu a pronta resposta de uma equipe do
Corpo de Bombeiros para apagar o incêndio. Como resultado, o funcionamento de serviços do Banestes e a rotina administrativa da sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), de secretarias da Prefeitura de Vitória e da Prodest foram afetados.
Emaranhado de fios... Por que, em pleno século XXI, essas gambiarras autorizadas (autorizadas?) continuam a poluir o visual das cidades brasileiras e, pior que isso, ser um sinal visível de perigo de acidentes e transtornos, como ocorreu no bairro de Vitória?
A
EDP, a maior concessionária de energia elétrica do Espírito Santo, aos quais a maioria dos postes são vinculados, alega que não tem nada a ver com o incidente. “A ocorrência foi registrada em cabos de telefonia, que pertencem e são de responsabilidade das empresas de telecomunicações”, diz em nota a concessionária.
Ainda segundo a EDP, o compartilhamento dos postes de energia elétrica pelas empresas de telecomunicações/internet é disciplinado por uma resolução conjunta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), “com o objetivo de redução dos custos aos usuários dos serviços”, pontua.
Pelo visto, não é por falta de legislação que o “caos aéreo” no ambiente urbano brasileiro continua a nos envergonhar. Sim, vergonha, porque até hoje não houve uma real mobilização, por parte do poder público e das concessionárias, para resolver esse problema.
O aterramento da fiação é uma providência que há muito devia ter sido adotada no país. No Espírito Santo também, lamentavelmente, muito pouco se fez para impedir que o visual das cidades capixabas seja emporcalhado com tantos fios e cabos expostos.
“O tema do compartilhamento dos postes pelas empresas de telecomunicações/internet é uma pauta nacional, fez parte da Consulta Pública (073/21) aberta pela Aneel e Anatel, e o tema está em discussão entre os órgãos reguladores, visando aprimorar o processo de ocupação dos referidos postes pelas empresas de telecomunicações/internet em todo país”, acrescenta a EDP.
A concessionária diz também que notifica sistematicamente as empresas de telecomunicações/internet, com objetivo de melhorar e regularizar as condições da rede de telefonia compartilhada nos postes, bem como para a retirada de cabos rompidos, “minimizando o impacto das fiações e restabelecendo a ordenação da rede de telecomunicações/internet”.
O caos nos postes, de acordo com a EDP, é agravado pelo ambiente de insegurança pública nas cidades. “A EDP atua ainda na retirada de cabos que oferecem risco à segurança da população, sempre que identificado pelas equipes. Importante frisar ainda que é observada a intensificação de furto de cabos de telecomunicações/internet, onde acabam ficando pontas e cabos soltos”, destaca.
Não devemos esperar mais. Passou da hora de
governo do Estado, prefeituras, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e empresas e concessionárias de telecomunicações e energia elétrica se mobilizarem para discutirem a adoção de medidas estruturais e pontuais para que esse caos de fios amontoados em postes tenha um fim.
Que tenhamos energia suficiente para olhar para cima e suspirar: “Como é bonito o Espírito Santo! E ainda mais sem fios para atrapalhar!”.