Lembrou a passagem bíblica (João 2, 13-25) em que Jesus expulsa, com um chicote, mercadores que profanavam o templo de Jerusalém. Neste sábado (30), em
Pinheiros, foi a vez de um padre expulsar um cachorro que invadiu a missa poucos instantes antes da comunhão, o ápice da liturgia católica.
A missa, realizada num galpão ao lado da igreja matriz São João Evangelista, reuniu dezenas de jovens que faziam sua primeira comunhão. No momento em que o padre Jonas Coutinho se purificava para benzer o pão e o vinho, um vira-lata surgiu atrás do altar e, atraído pelos pães e uvas ali depositados, avançou vorazmente em busca dos alimentos.
Foi quando o pároco percebeu que as ofertas estavam seriamente ameaçadas pelo simpático cão. Padre Jonas até tentou dispersar o intruso, mas não teve jeito: o animal o ignorou e acabou sendo expulso do altar para que a celebração eucarística prosseguisse.
“Eu e os adolescentes estávamos em jejum a tarde toda. O altar estava arrumado com pães e uvas. No final da missa, certamente, iríamos partilhá-los. Mas o cachorro chegou e começou a comer. Eu tentei, delicadamente, interrompê-lo, mas ele comia ferozmente. Quando percebi que não sobraria nada para nós, então dei umas chicotadas nele com os ramos de trigo”, relata o padre, que é vascaíno roxo e muito querido na região.
Mas não pensem que o pároco de Pinheiros é hostil aos animais - pelo contrário. É comum vê-lo pelas ruas da cidade do
Norte do Estado acompanhado de cachorros, mas o simpático cãozinho da missa parece que, desta vez, desafiou o padre: “Eu gosto muito de cachorros, mas aquele me queria passar a perna”, brinca.
A “invasão” da missa pelo animal levou o padre Jonas a tirar lições de vida do episódio: “Agora eu sei compreender o ditado popular que diz que ‘a fome é cega’. Também posso imaginar o que se passa com os quase
20 milhões de brasileiros que passam fome”.
E o pároco confessa, de forma pública: "Já me arrependi de ter batido no pobre cãozinho”. Está perdoado, padre. Vá e continue amando os animais. Ou poderia ser “vá e não peques mais”. (João 8, 11)?.