A violência do trânsito tem provocado efeitos mais devastadores do que os homicídios no Espírito Santo. Dados consolidados da
Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) revelam que acidentes nas vias capixabas provocaram mais mortes do que os crimes.
No primeiro semestre deste ano, aconteceram 472 mortes no trânsito ante 432 homicídios, quantidade 9,26% maior do que a dos crimes. Ainda sobre a circulação de veículos, o número de mortes subiu 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram computadas 401 vidas perdidas.
Conforme a coluna destacou recentemente, maio, dedicado à conscientização sobre o trânsito mais seguro, foi, ironicamente, o mês com mais mortes no ano, acumulando 109 registros fatais. O especialista em segurança pública e advogado Fábio Marçal demonstra preocupação com o panorama.
“Observamos aumento de ocorrências de mortes de motociclistas, além de mais óbitos provocados por atropelamentos. São muitas vidas perdidas precocemente. Digo e repito: somente a educação no trânsito vai mudar isso”, avaliou.
Estudo do especialista, por meio dos dados da Sesp, ainda revela outro triste cenário: até maio deste ano, 42 cidades capixabas tiveram mais incidentes fatais de trânsito do que homicídios. “Observamos que 17 municípios não tiveram assassinatos até maio deste ano, mas chegaram a somar sete casos, cada, como em Governador Lindenberg e em
Marechal Floriano.”
Para Marçal, é preciso cada um fazer sua parte. “Pedestres e motoristas precisam obedecer às leis. E as gestões, sejam elas municipais, estaduais e federal, têm o dever de oferecer vias adequadas, com boa sinalização, pavimento ajustado. Todos têm o direito de ir e vir. Mas precisamos ter noção das nossas contrapartidas”, observou.