O Brasil, oficialmente, não tem pena de morte, mas parece que a pena capital está sendo aplicada, silenciosamente, a muitos jovens do Espírito Santo - pobres e da periferia em sua maioria, é claro. O Estado registrou, em 2022, 79 homicídios de crianças e adolescentes, havendo uma média de pouco mais de um crime a cada quatro dias, segundo informações da
Secretaria de Estado da Segurança (Sesp). E os adolescentes são os que mais morrem.
As informações foram processadas pela Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e de Política Sobre Drogas da
Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PL) no biênio 2021-2022.
De acordo com o colegiado, a partir dos dados da Sesp, foi possível verificar que a idade que lidera as ocorrências foi a de 17 anos, com 30 casos, seguida pela de 16 anos (21) e a de 15 anos (16).
“É justamente nessa faixa etária de 15 a 17 anos que adolescentes, especialmente de regiões vulneráveis, são cooptados pelo tráfico de drogas”, analisa
Bahiense. “Eles estão em áreas onde não há oportunidades de estudo e de trabalho. Com isso, mesmo com a família intercedendo, alguns deles são seduzidos pela suposta vida fácil no crime.”
Das 79 vítimas de assassinatos, a maioria é do sexo masculino: 68 garotos (86% do total) contra 11 garotas (14% do total).