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Leonel Ximenes

PH conseguiu agendar vacinação; Casagrande, não. Qual a lição que fica?

Quando um governador e seu antecessor entram na fila do agendamento, temos  aí uma conquista civilizatória

Publicado em 10 de Abril de 2021 às 11:21

Públicado em 

10 abr 2021 às 11:21
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Casagrande e Hartung: na fila de agendamento da vacina, como todo cidadão
Casagrande e Hartung: na fila de agendamento da vacina, como todo cidadão Crédito: Divulgação
Não, não vamos tratar aqui do que seria uma bizarra "disputa geopolítica sanitária” entre o governador do Estado e seu antecessor, aliados de outrora e hoje antagônicos no campo político. A prosa é outra. O fato de Paulo Hartung ter conseguido agendar, no sistema digital da Prefeitura de Vitória, um horário para ser vacinado, e Casagrande, por sua vez, não ter logrado êxito, é uma excelente notícia.
Como assim “excelente notícia”, se o maior líder do Estado, nem ele, consegue garantir dia e horário para ser vacinado contra a Covid-19? Imagine o cidadão comum então!, pode retrucar alguém, indignado. Sim, mas esse caos na vacinação (cadê as vacinas, Bolsonaro?), pelo menos neste episódio, tem seu lado positivo: a carteirada, essa velha e nefasta instituição nacional, sofreu uma derrota. E essa realmente é uma ótima notícia.
Ou alguém duvida de que pelo menos o atual governador, se quisesse, já não teria sido vacinado logo entre os primeiros felizardos que foram imunizados? Afinal, ele comanda o governo, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), e não teria dificuldade em furar a fila e ser vacinado em nome da “essencialidade” do cargo que exerce.
O mesmo caso se aplica ao ex-governador Paulo Hartung, homem bem-articulado nacionalmente, que teria meios, se quisesse, de receber a tão desejada dose da vacina do Butantan ou da Fiocruz, essas duas instituições científicas que merecem todo o aplauso e reverência da nação - inclusive dos burocratas insensíveis de Brasília.
Sim, o Brasil é uma vergonha mundial na gestão da pandemia, temos um presidente negacionista, alheio à tragédia e que muitas vezes, por ações, palavras ou omissões, sabotou os esforços do país para combater essa cruel pandemia. Mas é inegável, por outro lado, que quando os dois homens mais poderosos do Espírito Santo se submetem à regra de agendamento de vacinação, temos aí um avanço na longa marcha civilizatória.
Se vivêssemos numa sociedade mais ética e decente, onde as regras mínimas de convivência fossem observadas, não haveria necessidade de existir este texto. Mas infelizmente não é assim. Casagrande e Hartung deram um exemplo de respeito à sociedade ao entrarem na fila do agendamento. Deveria ser esse o padrão ético dos nossos homens públicos, mas como não é essa a realidade, merece o registro.
Mas não esqueçamos, estamos no Brasil. No país dos maus exemplos que pululam a todo momento. Recordemos o caso de Belo Horizonte, um escárnio, uma bofetada na sociedade. Um grupo de endinheirados, se achando mais esperto que o restante da população, contrata uma suposta enfermeira que é portadora, não se sabe como, de vacinas contra a Covid para imunizar aquela elite (podre). Mas a picada parece que foi inócua. É o fim da picada sem fim.
Pelo que se apurou até agora, a suposta enfermeira não é enfermeira coisa alguma, e os imunizantes aplicados no braço dos “espertos”, ao custo de R$ 600, não passam de um soro ineficaz. Bem-feito para eles, que ainda foram expostos à opinião pública como desonestos - e otários, com a licença do leitor mais sensível.
São duas faces de uma mesma nação, que chora os seus 350 mil mortos pela cruel pandemia. Existe o país em que um governador e seu antecessor entram na fila do agendamento (e o governador não teve sucesso, até agora) e outro, no Estado vizinho, onde um grupo de empresários desonestos é vítima de uma estelionatária (estão todos em casa) para furar a fila da vacinação.
Só nos resta torcer para que o exemplo capixaba prevaleça. Se isso não acontecer, vamos entrar numa furada - não aquela que salva vidas, mas a que continua matando milhares ao longo da nossa história.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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