As polícias do Espírito Santo já apreenderam mais submetralhadoras no primeiro trimestre de 2021 do que a soma dos anos inteiros de 2019 e 2018. Nesses três primeiros meses do ano, 54 armas foram retiradas dos criminosos, enquanto ao longo de 2019 foram 33 e, em 2018, 15.
Os números apresentam um evidente crescimento no registro de apreensões desse tipo de armamento, que começou no ano passado. Em 2020, foram 137 apreensões, recorde até agora.
Mais sofisticadas e produzidas pela indústria, as metralhadoras também estão cada vez mais de posse de criminosos no
Espírito Santo, como mostra a evolução de apreensões nos últimos anos. De 2015 a 2018 foram apreendidas entre três e cinco armas desse tipo, por ano. Mas a partir de 2019, esse número cresceu exponencialmente.
Nesse ano, foram retiradas de circulação 20 metralhadoras; em 2020, esse número deu um salto e foi para 61, três vezes mais. E no primeiro trimestre de 2021, já foram 16 apreendidas pela polícia do ES.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, diz que as submetralhadoras são mais fáceis de serem encontradas no mercado negro. "São armas muito rudimentares, feitas artesanalmente, por pessoas que têm conhecimento em metalúrgica e funilaria. Essas pessoas fazem uma oficina de fundo de quintal e produzem isso numa série muito grande e distribuem no mercado negro", explica.
Embora as artesanais sejam as mais comuns em circulação no Espírito Santo, o secretário afirma que as industriais, mais sofisticadas, também fazem parte do arsenal dos criminosos. "As submetralhadoras artesanais são as nossas maiores apreensões, mas temos também as submetralhadoras industriais que chegam pelas nossas fronteiras e vêm de países como Rússia, Turquia e Israel."
As submetralhadoras têm uma "clientela" criminosa muito bem definida, segundo Ramalho, que também é coronel da Polícia Militar: "Quem mais utilizam essas armas são os traficantes. As artesanais são mais baratas, produzidas em série e utilizadas pelo tráfico para se confrontarem com as organizações criminosas rivais".
O presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e Política Sobre Drogas da
Assembleia Legislativa, deputado Delegado Danilo Bahiense, disse que o uso da submetralhadora tem a ver com a capacidade de ameaça e o poder de fogo.
“A submetralhadora impõe mais respeito no mundo do crime. Enquanto um agente de segurança chega, normalmente, com uma pistola de nove a 11 tiros, o bandido fica com um material que tem de 30 a 60 tiros. E o pior: provoca rajada, sendo muito letal. Esse material é muito cobiçado entre bandidos que estão em guerra por territórios do tráfico”, analisou o parlamentar.
Bahiense, que foi delegado da Polícia Civil por mais de 30 anos, ainda detalhou que essas armas chegam ou de forma ilegal, passando pelas fronteiras brasileiras, ou são fabricadas por armeiros cada vez mais qualificados. “Encontramos uma vez um criminoso no interior do Estado que produzia esse tipo de armamento com um nível altíssimo de qualidade. Usam a inteligência para promover os bandidos e ajudar a corromper crianças e adolescentes, que vão ser cooptadas para o universo do tráfico de drogas. É lamentável”, diz.