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Leonel Ximenes

Polícia do ES nunca apreendeu tantas submetralhadoras

No ano passado foi um recorde, com 137 apreensões. No primeiro trimestre de 2021 há houve mais registros do que os anos de 2018 e 2019 juntos

Publicado em 24 de Abril de 2021 às 02:02

Públicado em 

24 abr 2021 às 02:02
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Submetralhadora calibre 380 apreendida pela PM no Balneário de Carapebus, na Serra, na noite de terça (21).  Foram apreendidas também cinco munições e 72 pedras de crack
Submetralhadora artesanal calibre 380 apreendida pela PM no Balneário de Carapebus, na Serra Crédito: Sesp/Divulgação
As polícias do Espírito Santo já apreenderam mais submetralhadoras no primeiro trimestre de 2021 do que a soma dos anos inteiros de 2019 e 2018. Nesses três primeiros meses do ano, 54 armas foram retiradas dos criminosos, enquanto ao longo de 2019 foram 33 e, em 2018, 15.
Os números apresentam um evidente crescimento no registro de apreensões desse tipo de armamento, que começou no ano passado. Em 2020, foram 137 apreensões, recorde até agora.
Em 2015, segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp), foram apreendidas sete submetralhadoras, arma que tem sido cada vez mais utilizada pelos traficantes.
Mais sofisticadas e produzidas pela indústria, as metralhadoras também estão cada vez mais de posse de criminosos no Espírito Santo, como mostra a evolução de apreensões nos últimos anos. De 2015 a 2018 foram apreendidas entre três e cinco armas desse tipo, por ano. Mas a partir de 2019, esse número cresceu exponencialmente.
Nesse ano, foram retiradas de circulação 20 metralhadoras; em 2020, esse número deu um salto e foi para 61, três vezes mais. E no primeiro trimestre de 2021, já foram 16 apreendidas pela polícia do ES.

ARMAS ENCONTRADAS NO MERCADO NEGRO

O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, diz que as submetralhadoras são mais fáceis de serem encontradas no mercado negro. "São armas muito rudimentares, feitas artesanalmente, por pessoas que têm conhecimento em metalúrgica e funilaria. Essas pessoas fazem uma oficina de fundo de quintal e produzem isso numa série muito grande e distribuem no mercado negro", explica.
Embora as artesanais sejam as mais comuns em circulação no Espírito Santo, o secretário afirma que as industriais, mais sofisticadas, também fazem parte do arsenal dos criminosos. "As submetralhadoras artesanais são as nossas maiores apreensões, mas temos também as submetralhadoras industriais que chegam pelas nossas fronteiras e vêm de países como Rússia, Turquia e Israel."
As submetralhadoras têm uma "clientela" criminosa muito bem definida, segundo Ramalho, que também é coronel da Polícia Militar: "Quem mais utilizam essas armas são os traficantes. As artesanais são mais baratas, produzidas em série e utilizadas pelo tráfico para se confrontarem com as organizações criminosas rivais".
"É preciso destacar a proatividade dos nossos policiais militares e civis e guardas municipais lá na ponta, porque só apreende arma de fogo quem aborda. Também destacamos as denúncias dos cidadãos pelos telefones 181 ou 190 com informações de onde onde essas armas estão, com quem elas estão circulando"
Alexandre Ramalho - Secretário de Estado da Segurança Pública

PODER DE FOGO DA SUBMETRALHADORA

O presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e Política Sobre Drogas da Assembleia Legislativa, deputado Delegado Danilo Bahiense, disse que o uso da submetralhadora tem a ver com a capacidade de ameaça e o poder de fogo.
“A submetralhadora impõe mais respeito no mundo do crime. Enquanto um agente de segurança chega, normalmente, com uma pistola de nove a 11 tiros, o bandido fica com um material que tem de 30 a 60 tiros. E o pior: provoca rajada, sendo muito letal. Esse material é muito cobiçado entre bandidos que estão em guerra por territórios do tráfico”, analisou o parlamentar.
Bahiense, que foi delegado da Polícia Civil por mais de 30 anos, ainda detalhou que essas armas chegam ou de forma ilegal, passando pelas fronteiras brasileiras, ou são fabricadas por armeiros cada vez mais qualificados. “Encontramos uma vez um criminoso no interior do Estado que produzia esse tipo de armamento com um nível altíssimo de qualidade. Usam a inteligência para promover os bandidos e ajudar a corromper crianças e adolescentes, que vão ser cooptadas para o universo do tráfico de drogas. É lamentável”, diz.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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