Muita gente que assistiu pelas redes sociais às cerimônias fúnebres do padre Fernando Antônio Silva de Souza, na Catedral Metropolitana de Vitória, estranhou o fato de o caixão do sacerdote ter ficado aberto quase o tempo todo,
apesar de ele ter morrido de complicações da Covid-19. A Arquidiocese de Vitória diz que foi autorizada a adotar esse procedimento.
Segundo o arcebispo dom Dario Campos, a médica que assistiu o padre Fernando no hospital permitiu que o caixão fosse exposto aberto porque,de acordo com ela, o sacerdote não estava mais com o vírus da
Covid, apesar de ter morrido em decorrência da doença.
Na noite desta segunda-feira (21), quando o corpo do padre foi levado à Catedral,
dom Dario fez um breve pronunciamento de acolhida e aproveitou para explicar o porquê de o caixão ficar aberto, mesmo em época de pandemia: “O padre Fernando não está mais com Covid. Ele faleceu em consequência da Covid”, ressaltou o arcebispo de Vitória.
A seguir, dom Dario disse que esteve duas vezes, na segunda-feira, com a médica que cuidou do padre Fernando, e segundo o arcebispo, ela assinou uma declaração permitindo a contemplação do corpo do sacerdote: “Ela disse que a gente podia fazer o velório tranquilamente. Mas eu perguntei ‘a urna tem que ficar fechada?'. Ela disse que não e que poderíamos abrir’”.
No final, o prelado tentou tranquilizar os padres, seminaristas, religiosos e parentes do sacerdote falecido que estavam na Catedral para a primeira missa em memória do padre e para participar da vigília noturna. “Ele não tem mais Covid, para evitar qualquer mal-estar depois na sociedade e para não falar que nós estamos desrespeitando as normas do protocolo sanitário. Não estamos desrespeitando”, enfatizou dom Dario.
Desde a noite de segunda foram realizadas três missas de corpo presente. As duas últimas foram celebradas na manhã desta terça-feira, uma às 6h e outra às 8h.
Esta última foi presidida por dom Dario. Durante a missa, o caixão foi fechado e colocado no chão em frente ao altar. O gesto repete o rito de ordenação do padre, que fica prostrado diante do bispo em um momento específico da cerimônia.
Segundo a assessoria da Arquidiocese, não foi possível adotar o mesmo procedimento quando da realização do rito fúnebre do padre Kleber dos Santos Júnior,
que morreu de Covid em fevereiro. A missa exequial do sacerdote, que era pároco em Itapuã, Vila Velha, foi realizada com o caixão fechado, dentro do carro funerário, no pátio ao lado da igreja.
A Arquidiocese afirma que no caso do padre Kleber havia risco de contaminação por ele ter morrido com o vírus ainda em seu corpo.