Acabou a picanha, acabou o rodízio. A Spettaria&Cia, uma famosa casa de carne em espetinhos do Espírito Santo, anunciou que acabou com o seu serviço de rodízio na sua unidade da Praia de Itaparica, em
Vila Velha. O motivo apontado pelo estabelecimento: “aumento significativo no preço das carnes”.
A casa, que tem também um serviço de delivery na Praia do Suá, em Vitória, comunicou a mudança na sua operação em postagem nas redes sociais, nesta quarta-feira (29).
“Gostaríamos de informar que, a partir de hoje, infelizmente não haverá mais rodízio em nossa unidade de Vila Velha. Esta decisão foi tomada devido ao aumento significativo nos preços das carnes, o que impossibilita a manutenção da qualidade e variedade que sempre prezamos em nosso serviço de rodízio. Agradecemos pela compreensão e esperamos continuar contando com sua presença para desfrutar de outras opções deliciosas do nosso cardápio. Estamos à disposição para qualquer dúvida ou esclarecimento.”
A Spettaria&Cia foi inaugurada em julho de 2016 de uma forma muito modesta. No começo, a casa tinha apenas cinco mesas e um carrinho de churrasquinho, em Itaparica. Em 2020, na época da pandemia, o restaurante teve que se reinventar e lançou seu serviço de delivery.
Com o crescimento contínuo, no final de 2022, foi lançada a modalidade de rodízio de espetinhos, uma iniciativa de grande sucesso entre os clientes. Até que, de uns meses pra cá, o preço da carne disparou, o que obrigou o restaurante a encerrar o rodízio, mantendo entretanto o serviço de espetinho servido individualmente.
“Desde o final do ano passado estamos sentindo uma diferença enorme no orçamento, pois as carnes subiram o preço e nós tentamos ao máximo segurar o valor para deixar algo atrativo ao cliente e tentar ganhar na quantidade de pessoas”, diz Alessandra Braga, proprietária da Spettaria&Cia.
Diferença enorme, no caso, não é uma força de expressão. O preço da carne realmente subiu muito, como exemplifica a empresária. “O bife ancho, por exemplo, que é o corte dos nossos espetinhos de filé, filé com linguiça e medalhão de filé, até no meio do ano passado custava uma média de R$ 34 o quilo, mas hoje está batendo quase R$ 45 o quilo, um aumento de mais de 30%. Estamos falando de um corte de carne que é o carro-chefe da empresa e compramos em grande quantidade”, destaca Alessandra.
A dona do restaurante aponta também o alto custo da mão de obra especializada para tocar o rodízio como fator determinante para que ela e o sócio acabassem com o serviço. Diante da situação, a empresa optou por uma operação mais simples.
“Achamos por bem focar no ramo de delivery, em
Vitória, onde a empresa vem crescendo, além de criar novos pratos para a unidade de vila velha com um bom custo-benefício para o cliente. Os espetinhos, combos e tábuas continuarão no nosso cardápio normalmente na unidade de Vila Velha com atendimento presencial”, avisa.
A alta do dólar tem grande responsabilidade na disparada do preço da carne bovina no Brasil. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o preço pago pelos brasileiros aumentou quase cinco vezes mais que o valor das exportações. A diferença é, basicamente, explicada pelo câmbio.
No ano passado, os produtores brasileiros cobraram uma média de US$ 4.952 a tonelada da carne bovina em dezembro de 2024 para seus clientes no exterior. O valor teve reajuste de 4,3% no decorrer do ano passado.
Mas para os clientes brasileiros, a carne vendida nos supermercados teve aumento muito mais intenso: 20,8%, segundo dados do
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Quase cinco vezes mais que o aumento em dólares.