Localizada às margens da
BR 101, a pequena e pacata cidade de
Rio Novo do Sul, à falta de algum assunto mais vibrante, está debruçada no momento sobre um tema que vem causando certa polêmica: a mudança do hino do município.
O prefeito Jocenei Marconcini Castelari, mais conhecido como Nei Castelari (Podemos), defensor da ideia, enviou o projeto de mudança da canção da cidade e pediu regime de urgência na votação, mas enfrentou um primeiro revés: no começo desta semana, os vereadores, por 5 votos 4, rejeitaram a aceleração da tramitação matéria, que passa a ser analisada normalmente nas comissões da Casa.
Em sua mensagem à Câmara de Vereadores, o chefe do executivo municipal alega que o hino atual, que existe há décadas, não foi criado por lei. Na nova composição, a palmeira-juçara é exaltada, embora ela não seja a principal cultura agrícola do município.
O hino atual, que de tão antigo até a melodia se perdeu, segue a tradição ufanista de composições cívicas, evidenciada na sua primeira estrofe: “Passo a passo o progresso/ A essas plagas chegou/ E seus filhos com denodo/ E honradez o aproveitou/ E agora em nosso Estado/ É um próspero município/ Para orgulho de seus filhos/ Que esforço não poupou”.
Ouvido pela coluna, o presidente da Câmara Municipal de Rio Novo do Sul, Rodolpho Longue Diirr (Republicanos), diz que pessoalmente é contra a mudança do hino da cidade. Aliás, foi dele o voto de minerva para definir a votação (5 x 4) que rejeitou o pedido de tramitação de regime de urgência do projeto.
“O projeto agora vai para as comissões porque é preciso saber por que o executivo quer mudar o hino, vamos ter mais tempo para analisar a matéria”, pondera. “Mas posso adiantar que neste primeiro momento não concordo com a mudança, a não ser que me convençam”, acrescenta.
Em conversa com a coluna por WhatsApp, o prefeito Nei Castelari afirmou que o hino atual não é oficial: “Não existia hino nenhum, estamos criando o hino municipal”.
Sobre a referência à palmeira-juçara, Castelari alega que essa cultura tem importância na economia do município, mas cita outras de relevância como o café, o leite, o cacau e a banana, embora estas sejam ignoradas na letra do novo hino proposto.
A palmeira é citada numa estrofe do hino defendido pelo gestor da
cidade do Sul do Espírito Santo: “E esse vale do amor/ Se tornou a capital da juçara/ A palmeira que vem crescendo”.
Indagado se outras culturas agrícolas estão presentes no novo hino, Castelari diz que sim: “Este hino tem as principais economias do nosso município”, responde, embora só haja menção explícita à palmeira-juçara e às pedras ornamentais e genericamente à agricultura.
Agora resta ao prefeito torcer para que os vereadores não cortem a palmeira tão decantada por ele. Afinal, os facões estão afiados na Câmara.