Acabou não se confirmando
a previsão feita no dia 4 de junho, pelo físico e pós-doutor em Ciências da Saúde Domingos Alves, de que o Espírito Santo não teria mais leitos de UTI para a
Covid-19 disponíveis no dia 16 deste mês.
Em entrevista à âncora do programa CBN Vitória,
Fernanda Queiroz, o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP previu que o ES, com uma taxa de adesão ao isolamento em 38% (no dia 3/6), segundo o Mapa Brasileiro da Covid-19 In Loco, nos dez dias seguintes teria 265 mortes e os leitos de UTI iriam lotar no dia 16 de junho.
Não foi o que aconteceu. Ontem (16), data prevista de colapso pelo especialista, segundo o Painel Covid-19, o
Espírito Santo estava com uma taxa de 82,57% dos leitos de UTI ocupados. Das 654 vagas disponíveis, 540 estavam sendo utilizadas.
Por região, o Painel Covid-19 aponta que a
Região Metropolitana registra a maior taxa de ocupação de leitos de UTI para o novo coronavírus: 83,89%, um pouco acima de média estadual. A seguir vêm Região Sul (81,25%), Norte (79,49%) e Central (73,53%).
Com base ainda nos números do Painel Covid-19, do governo do Estado, a taxa de
isolamento social da população do Espírito Santo no dia 4 de junho, data em que o especialista fez a previsão, estava em 46%, mesmo índice do dia 15 de junho (último dado).
Para justificar sua previsão de colapso na oferta de UTIs para a Covid no ES, Domingos Alves apontou erros de estratégia dos Estados e municípios no combate inicial à doença, na ausência de testagem volumosa dos assintomáticos e no afrouxamento precipitado do isolamento social.
“Os assintomáticos nunca descobrirão, sem serem testados, que tiveram a doença, mas estão transmitindo. O isolamento foi feito de maneira equivocada. Passamos dois meses olhando para pessoas sofrendo em internação, mas estas não geravam novos casos. Houve falha sistemática em não fazer testes em massa na população, procurando pessoas com sintomas leves ou assintomáticos. Estas deveriam ser isoladas e as próximas delas também. Não houve busca ativa dos contactantes das pessoas que estão internadas, e elas estavam sujeitas a serem infectadas”, relatou o especialista.
Para Alves, a flexibilização e reabertura de comércios e shoppings poderiam gerar números catastróficos brevemente. “O aumento de casos e óbitos nos próximos dez dias será exacerbado. Os municípios que relaxarem o isolamento nesse sentido vão ver crescer o número de casos em 150% e sobrecarregar a capacidade de atendimento", previu.
Em nota, a Secretaria da Saúde (Sesa) informou que a capacidade de atendimento para pacientes com Covid-19 está sendo ampliada semanalmente com a abertura de leitos que estão distribuídos em unidades próprias (majoritariamente) e em parceria com entidades filantrópicas e hospitais privados.
A previsão da
Sesa para o final do mês de junho é disponibilizar, seja com abertura, adaptação ou compra de leitos, mais de 1,3 mil vagas. Atualmente, a rede conta com 1.338 leitos do SUS.