O promotor de Justiça Jeferson Ribeiro Gonzaga gravou um depoimento, marcado pela emoção, sobre a sua relação com o seu filho Tales Albano Gonzaga, que é
homossexual: “Acho que nenhum pai para amar um filho tenha que impor condições, ou seja, o meu amor pelo meu filho é incondicional, sempre foi e sempre será”.
As declarações, tão afetuosas e tocantes, foram feitas em vídeo publicado nas redes sociais e fazem parte do primeiro episódio da campanha “Onde tem afeto, tem família!”, promovida pelo
Ministério Público Estadual (MPES) em comemoração ao mês do Orgulho LGBTQIA+.
Ao todo, serão quatro episódios. Um deles será com um juiz de Direito gay, que tem dois filhos adotivos.
Para o promotor de Justiça Franklin Gustavo Botelho Pereira, coordenador da Comissão de Direito a Diversidade Sexual e Identidade de Gênero (CDDS) do MPES,, é necessário compreender que a orientação sexual e a identidade de gênero são inerentes a todos os seres humanos e, portanto, não devem ser causa de discriminação ou violência, por quem quer que seja, principalmente no âmbito familiar.
“A família é o núcleo principal da sociedade e o local onde toda pessoa aprende a se relacionar com os outros e a lidar com seus afetos. O que é aprendido ali dura para a vida toda”, diz o promotor da CDDS.
No primeiro vídeo, publicado nesta quarta-feira (19), Jeferson Gonzaga afirma que ama seu filho de forma incondicional, do jeito que ele é: “Eu sei que eu tenho minhas falhas, os meus defeitos. Não são pequenos, não são poucos, mas este defeito de não amar o meu filho, por causa da sua orientação sexual, isso aí jamais”.
Gonzaga também chama atenção para a importância de combater o preconceito contra os gays e de apoiá-los: “Se você, pai ou mãe, tem um filho homossexual, não faça como muitos que, por questões religiosas, por questões de grupos de amizades, deixa de amar o seu filho, deixa de apoiá-lo”.
Ao lado do pai no vídeo, Tales Gonzaga afirma que é preciso ter paciência e diálogo: “O importante é nós da comunidade termos paciência com os nossos pais, ter empatia, ter diálogo, tentar mostrar pra eles o nosso lado, mostrar que nós vamos continuar sendo as mesmas pessoas. Nós não vamos mudar nosso caráter, a gente só quer o respeito deles para amar quem a gente quer amar”, disse o filho do promotor.
No fim do vídeo, pai e filho se abraçam carinhosamente, choram e fazem uma profissão de amor mútua: “Te amo, pai”. “Também te amo, filho”.
E a coluna, claro, apoia todas as formas de amor. Afinal, o importante é amar!