Público vai conhecer acervo privado com mais de 200 obras de arte no ES
Leonel Ximenes
Público vai conhecer acervo privado com mais de 200 obras de arte no ES
Peças, que estão sendo digitalizadas, foram reunidas ao longo de 20 anos por um juiz de Direito e bacharel em Artes Plásticas
Públicado em
16 out 2025 às 11:01
Colunista
Leonel Ximenes
lximenes@redegazeta.com.br
Pote de Dona Izabel Mendes da Cunha, grande mestra de Santana do Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha (MG). Este pote Ronaldo ganhou das mãos delaCrédito: Divulgação
Uma coletânea artística particular com mais de 200 obras, cujo acesso até então era restrito a pouquíssimas pessoas, passará a ficar acessível ao público por meio digital. As peças foram reunidas ao longo de 20 anos pelo juiz de Direito e bacharel em Artes Plásticas Ronaldo Domingues de Almeida.
As obras já começaram a ser inventariadas e digitalizadas e o pontapé para o acesso ao público será na próxima segunda-feira (20), quando estudantes de artes poderão visitar as obras na residência do colecionador, na Mata da Praia, em Vitória.
A previsão é a de que as obras – que incluem pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas - sejam disponibilizadas na plataforma Midiateca Capixaba do governo do Estado no início do próximo ano, conforme previsto no projeto aprovado em edital da Secretaria de Estado da Cultura, com recursos do Funcultura.
“Nosso projeto, que ganhou o nome de Acervo RDA, antes de tudo, tem o propósito de provocar a reflexão e o debate quanto à dimensão social das coleções de arte privadas. O foco está na preservação do riquíssimo patrimônio artístico e cultural que este acervo em questão representa, em especial para a sociedade capixaba. No entanto, o compartilhamento das obras é fundamental. Os acervos digitais são instrumentos possíveis de democratização cultural e fortalecimento da memória coletiva”, diz a jornalista e coordenadora do projeto, Adriana Machado.
“Espero que a divulgação da coleção de forma pública e ampla, por meio de fomento estatal, incentive outros colecionadores a investirem mais em artistas capixabas, como forma de estimular a produção e a promoção da arte no Espírito Santo. A divulgação do acervo também se presta a dar a dimensão social que toda propriedade privada precisa alcançar”, destaca o colecionador.
Com a inserção na Midiateca Capixaba, o acervo poderá ser amplamente utilizado em processos educacionais, pesquisas e servirá de fonte para novos estudiosos e profissionais. A plataforma, que utiliza tecnologia de acessibilidade baseada em IA, garantirá que o conteúdo chegue a diversos públicos.
O grande destaque da coleção é o vasto painel da arte moderna e contemporânea capixaba, com nomes como Homero Massena, Levino Fânzeres, Álvaro Conde, Dionísio Del Santo, Hilal Sami Hilal e diversos artistas emergentes. O acervo também conta com obras de artistas nacionais e internacionais renomados, como Amílcar de Castro, Tomie Ohtake, Cildo Meireles, Carybé e Alex Vallauri.
Flores no azul, da pintora e desenhista mineira Selma WeissmannCrédito: Divulgação
O processo de catalogação segue padrões nacionais. “O inventário inclui fichas catalográficas baseadas no Modelo de Documentação Museológica do Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram, e com os padrões de inserção na Plataforma Tainacan, para a Midiateca Capixaba”, explica a museóloga Flávia Fernandes.
O responsável pela digitalização do acervo é o fotógrafo Sérgio Cardoso. “O maior desafio é conseguir ser fiel às cores originais de cada obra fotografada. Por essa razão eu uso o colorchecker. Mesmo quem nunca viu o quadro saberá qual é a cor original da obra”, explica Cardoso sobre a técnica utilizada.
INCENTIVO AO MERCADO CAPIXABA
A coordenação do projeto diz que busca a “deselitização” da arte e promover o reuso do acervo digital. Estão programadas visitas monitoradas à residência do colecionador e, como parte da etapa final, o Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) sediará uma mostra do acervo, de janeiro a maio de 2026, além de uma apresentação pública do projeto, seguida de debate, com data a ser definida.
Le Peintre Jolly, do artista plástico cachoeirense Augusto HerkenhoffCrédito: Divulgação
A expectativa é que a iniciativa sirva de incentivo para que outros colecionadores privados compartilhem seus acervos, ampliando o patrimônio artístico e histórico acessível à sociedade capixaba. “Acreditamos que o projeto resultará em futuras ações”, afirma Adriana Machado.
Ronaldo Domingues de Almeida, o dono da coleçãoCrédito: Divulgação
A execução do projeto “Preservação e Difusão do Acervo Ronaldo Domingues de Almeida na Midiateca Capixaba” pode ser acompanhada pelo Instagram no perfil @AcervoRDA. Contatos também podem ser feitos pelo e-mail acervorda@gmail.com
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.