Foi chocante:
uma mulher abraçou o próprio marido para que o amante o matasse. O crime torpe e repugnante, que aconteceu no interior de Castelo nesta semana, é mais um na extensa lista dos chamados “crimes de proximidade”, aqueles em que o assassino tem algum tipo de relação direta com a vítima. Ou seja, tinha talvez até afeto e convivência, seja ela familiar, de amizade, vínculo profissional.
E não é um caso isolado, infelizmente. No Espírito Santo, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp),
somente em junho, 45% dos 85 homicídios registrados no mês aconteceram dentro dessas características. São crimes que, por sua natureza, muitas vezes não conseguem ser impedidos pelas forças de segurança pública.
Um homicídio acontecido no dia 15 de junho expressa bem a dificuldade de se impedir esse tipo de crime.
Um pai resolveu matar seus três filhos pequenos e a mulher, dentro da própria residência, utilizando uma machadinha, em uma pequena comunidade de São Domingos do Norte, cidade com pouco mais de 8,5 mil habitantes. A tragédia aumentou porque o próprio homicida se matou logo em seguida.
O assassinato da mãe e dos três filhos chocou a pequena comunidade. Somente nesse caso, três das vítimas eram mulheres e, por isso, os casos entraram na classificação de feminicídio, fato que contribuiu para o aumento dessa triste estatística no Espírito Santo, que no entanto vem se reduzindo desde 2016.
O crime ocorreu na localidade de Cachoeirinha do Itaúnas. A morte do animal, que estaria destruindo uma plantação, provocou discussão entre os irmãos; um deles, dominado pelo ódio, sacou uma pistola e disparou várias vezes contra o próprio irmão.
No dia 16 de junho, pouco depois da meia-noite, mais um homicídio que dificilmente poderia ser impedido. Um preso do Centro de Detenção de São Domingos do Norte foi assassinado pelos colegas de cela. Ainda naquele mês, um marido matou a mulher a tiros e depois se suicidou na localidade de Fátima, em
São Mateus, dentro de casa.
O que poderia impedir esses crimes de proximidade? Numa sociedade tão intolerante como a nossa, inclusive na política, a solução, certamente, não é mais polícia, mais armas, mais violência. O caminho é cada um de nós fazer a nossa parte e aceitar a convivência com os contrários, aceitar as diferentes opiniões, respeitar a diversidade. Ou seja, mais amor. Sempre.