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Leonel Ximenes

Quando o assassino está ao lado: crimes de proximidade crescem no ES

Somente em junho, quase metade dos homicídios foi cometido por uma pessoa que tinha algum tipo de convivência com a vítima

Publicado em 29 de Julho de 2021 às 02:05

Públicado em 

29 jul 2021 às 02:05
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP): 45% dos 85 homicídios registrados no ES foram de proximidade Crédito: Fernando Madeira
Foi chocante: uma mulher abraçou o próprio marido para que o amante o matasse. O crime torpe e repugnante, que aconteceu no interior de Castelo nesta semana, é mais um na extensa lista dos chamados “crimes de proximidade”, aqueles em que o assassino tem algum tipo de relação direta com a vítima. Ou seja, tinha talvez até afeto e convivência, seja ela familiar, de amizade, vínculo profissional.
E não é um caso isolado, infelizmente. No Espírito Santo, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), somente em junho, 45% dos 85 homicídios registrados no mês aconteceram dentro dessas características. São crimes que, por sua natureza, muitas vezes não conseguem ser impedidos pelas forças de segurança pública.
Um homicídio acontecido no dia 15 de junho expressa bem a dificuldade de se impedir esse tipo de crime. Um pai resolveu matar seus três filhos pequenos e a mulher, dentro da própria residência, utilizando uma machadinha, em uma pequena comunidade de São Domingos do Norte, cidade com pouco mais de 8,5 mil habitantes. A tragédia aumentou porque o próprio homicida se matou logo em seguida.
O assassinato da mãe e dos três filhos chocou a pequena comunidade. Somente nesse caso, três das vítimas eram mulheres e, por isso, os casos entraram na classificação de feminicídio, fato que contribuiu para o aumento dessa triste estatística no Espírito Santo, que no entanto vem se reduzindo desde 2016.
Nesse mesmo dia 15 de junho, em Barra de São Francisco, mais um fato mostrou intolerância e falta de humanidade, sentimentos que não deveriam existir no seio de uma família. Por conta do abate de um porco, um irmão matou o outro a tiros.
O crime ocorreu na localidade de Cachoeirinha do Itaúnas. A morte do animal, que estaria destruindo uma plantação, provocou discussão entre os irmãos; um deles, dominado pelo ódio, sacou uma pistola e disparou várias vezes contra o próprio irmão.
No dia 16 de junho, pouco depois da meia-noite, mais um homicídio que dificilmente poderia ser impedido. Um preso do Centro de Detenção de São Domingos do Norte foi assassinado pelos colegas de cela. Ainda naquele mês, um marido matou a mulher a tiros e depois se suicidou na localidade de Fátima, em São Mateus, dentro de casa.
O que poderia impedir esses crimes de proximidade? Numa sociedade tão intolerante como a nossa, inclusive na política, a solução, certamente, não é mais polícia, mais armas, mais violência. O caminho é cada um de nós fazer a nossa parte e aceitar a convivência com os contrários, aceitar as diferentes opiniões, respeitar a diversidade. Ou seja, mais amor. Sempre.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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