A
polícia prendeu, no ano passado, 1.989 homens suspeitos de praticar
violência contra as mulheres no Espírito Santo. No total, foram 1.665 prisões em flagrante e 324 em cumprimento de mandados de prisão efetuados pelas delegacias que compõem a Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam).
Em 2020, foram instaurados 6.244 inquéritos policiais, 6.138 inquéritos foram concluídos e relatados, 108 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, bem como 8.038 Medidas Protetivas de Urgência (MPU) foram solicitadas à
Justiça. Nas Deams, foram registrados 14.462 Boletins de Ocorrência (BOs), referentes a crimes resultantes de violência doméstica e familiar contra a mulher e crimes contra a dignidade sexual das mulheres.
Criada em 2018, a DIV-Deam completa três anos de atividades em abril. Sua competência é coordenar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) e a Delegacia de Plantão Especial da Mulher da Região Metropolitana (DPEM-RM).
A Divisão desenvolve também o projeto “Homem que é Homem”, de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, estruturado por psicólogas e assistentes sociais da Polícia Civil. O objetivo é investir na educação social e na desconstrução de ideias sexistas e machistas de homens autores de violência doméstica, por meio de palestras educativas. Em 2020, novos municípios aderiram ao projeto, totalizando 15 cidades empenhadas na educação como forma de prevenir a violência doméstica e de gênero.
A delegada-chefe da DIV-Deam, Cláudia Dematté, destaca que, desde a criação da
Lei Maria da Penha, aumentou o número de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que estão denunciando seus agressores, e a criação desta divisão no Espírito Santo, segundo ela, é mais uma ferramenta na proteção dos direitos das mulheres.
“As vítimas se sentem mais seguras para denunciar seus agressores e estão procurando as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher para registrarem o Boletim de Ocorrência e solicitar as medidas que a Lei Maria da Penha possibilita. Também devemos levar em conta que, cada vez mais, as mulheres estão se empoderando, tendo ciência dos seus direitos e da rede de proteção; em contrapartida, ainda temos homens que não aceitam esse empoderamento e cometem atos absurdos e inaceitáveis de violência contra mulher”, afirmou a delegada Cláudia Dematté.
A delegada destacou ainda que 2020 foi um ano atípico, devido à pandemia do
novo coronavírus. “Infelizmente, estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam um aumento do número dos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher neste período. Entretanto, isso não reflete, necessariamente, na notificação de todos os casos, pois percebe-se uma possível subnotificação dos registros nesse período. Os fatores que dificultam as vítimas a denunciarem, como medo, vergonha, dependência financeira ou emocional, podem ainda estar mais potencializados em um momento como este”, explicou.
Também foram realizadas pela DIV-Deam, com o apoio da Superintendência de Polícia Interestadual e de Capturas (Supic), seis fases da Operação Maria's, destinadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, que resultaram em 324 suspeitos presos.