Eu e minha família estamos revivendo todo sofrimento de dois anos e poucos atrás, parece uma mentira. A dor é tão profunda, mas o sentimento de união é muito grande entre todos nós. Mas temos apreensão, a angústia pela ausência e pela forma brutal como nos foi tirado um pai, um marido, um avô, um homem que a vida inteira fez o bem para as pessoas e que vivia feliz e alegre, sempre festejado aonde chegava. Parece pesadelo, parece não ser verdade. Isso tudo nos faz ter esperança que pelo menos a justiça seja feita, que não passe em vão uma vida, sonhos e esperança que nós ainda temos junto dos filhos, dos amigos, de tantas pessoas que nesse período não só se solidarizaram com a família Todos nos deram apoio e suporte para tentarmos superar a dor da ausência. Gerson nos deixou um exemplo de homem público, de pai amoroso, uma pessoa alegre, sempre contando piada e fazendo da vida uma paixão. Ele tinha paixão por viver, ele tinha paixão pela família, ele tinha paixão pelo povo do nosso Estado, era um apaixonado e sempre preocupado com as pessoas que precisavam, que pediam um apoio, que pediam um suporte. E ter o fim que ele teve, isso é muito triste... Nós estamos passando por uma fase muito difícil, foram mais de dois anos de sofrimento, de reclusão e de união com os filhos. Vieram os netos, e aí vem aquela pergunta, cadê o vovô? Porque ele não está aqui, ele que tanto amava a Rafaela [Enza, filha mais velha]. Ele não teve a oportunidade de ver Enrico e Antonela [netos] e compartilhar alegria, a saúde que ele tinha ao lado dos amigos e da nossa família.