A fachada da histórica Santa Casa de Misericórdia de Vitória está sendo reformada pelo Instituto Goia, responsável por projetos semelhantes como a reforma do
Palácio Anchieta e a igrejinha do Rosário na Prainha, em Vila Velha. O prédio, inaugurado em 1912 na Vila Rubim, em Vitória, passou por muitas alterações e reformas ao longo desses 108 anos e acabou perdendo suas características originais.
Além da fachada, o projeto, que deve ser concluído em dois anos, contempla a reconstrução do segundo lado da escadaria, que não existe mais, além de um centro de convivência e nova guarita, abrindo novamente o acesso principal do hospital.
A primeira fase do projeto,que inclui a remodelação da fachada e a pintura da escadaria, vai custar R$ 380 mil; a segunda e última etapa, que é a reconstrução do outro braço da escadaria, ainda não tem custo previsto. Toda a obra está sendo bancada com recursos próprios da Santa Casa.
Por volta dos anos 1950, com a necessidade de ampliação dos atendimentos na unidade, um terceiro pavimento foi construído no prédio, retirando boa parte das características originais do imóvel doado à Irmandade da
Santa Casa de Misericórdia de Vitória, via testamento, por Maria Subtil.
De acordo com o arquiteto Leandro Terrão, que assina o projeto de reforma junto com o também arquiteto Pedro Canal Filho, a obra tem o objetivo de resgatar a valorização histórica do primeiro hospital do Espírito Santo, além de devolver à Santa Casa a sua entrada original, que ficou “escondida” por anos no Centro da cidade.
“A Santa Casa tem um histórico importante na formação da cidade e, principalmente, da região do
Parque Moscoso. O trabalho de recuperação do prédio e da escadaria permite que quem utiliza o hospital, seja paciente, médico ou estudante, conheça a origem do bairro. Ou seja, a história passa a ser recontada, e a valorização acontece”, explica Terrão.
Apesar dos problemas crônicos da região, Terrão destaca a dimensão histórica da região central da Capital. “O
Centro de Vitória tem vários problemas, como criminalidade e abandono, mas também tem um lado histórico essencial na vida da cidade, que merece estar à disposição da população.”
Durante o estudo inicial para o projeto, o Instituto Goia descobriu nos registros que a construção da fachada e da escadaria, entre 1908 e 1912, teve participação de Ramos de Azevedo, importante arquiteto e engenheiro civil no século passado, responsável por obras como o
Teatro Municipal de São Paulo e o Mercado Municipal da capital paulista.
Segundo a assessoria da Santa Casa, a nova cor do prédio, amarela, foi escolhida por estar presente no Palácio Anchieta e ter siso padrão nos prédios públicos de Vitória no início do século XX. Através da técnica de prospecção, que tenta encontrar camadas de tinta originais na parede, não foi possível identificar ao certo a cor original do hospital no período da construção.