Sambão teve monge, vice-governador de “enfermeiro” e rivais se abraçando
Leonel Ximenes
Sambão teve monge, vice-governador de “enfermeiro” e rivais se abraçando
Conheça detalhes e bastidores da festa que une políticos, atrai até gente acostumada ao silêncio total e provoca situações engraçadas
Publicado em 04 de Fevereiro de 2024 às 08:00
Públicado em
04 fev 2024 às 08:00
Colunista
Leonel Ximenes
lximenes@redegazeta.com.br
Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini, monge Daiju Bitti, Da Vitória e Marcelo Santos no camarote da PMVCrédito: Leonardo Duarte/PMV
O Sambão é do povo, ambiente democrático por excelência. É local de festa, confraternização e de guardar ódios e ressentimentos na gaveta. É momento de paz, harmonia (que é até quesito) e alegria.
TEM MONGE NO SAMBA
É território de todos os credos e cores, como aconteceu no desfile do Grupo Especial na noite deste sábado (3) e madrugada de domingo (4). Uma presença inesperada despertou a curiosidade de muita gente: com seu traje tradicional e sempre elegante, o monge zen-budista Daiju Bitti circulou à vontade no camarote oficial da Prefeitura de Vitória e no Parador Internacional, parceiro da Rede Gazeta.
O monge Daiju (no centro) no camarote Parador Internacional vendo o desfile da JucutuquaraCrédito: Carlos Alberto da Silva
CALMA MONÁSTICA
Comportado e atento ao desfile da Jucutuquara, que homenageou o Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, o monge foi convidado pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para desfilar pela tradicional escola da Capital, mas preferiu acompanhar a festa dos camarotes.
UNIDOS DA DEMOCRACIA
Foi a festa também do encontro de rivais da política, que deixaram as diferenças de lado para curtirem juntos o espetáculo. Um belo exemplo de união de adversários políticos ocorreu com Pazolini e o vice-governador Ricardo Ferraço (PSDB), que chegaram a desfilar juntos na última ala da Novo Império, escola que abriu o desfile no sábado à noite.
AGULHADAS
Ferracinho, aliás, muito simpático e animado, apareceu todo de branco na cerimônia de entrega simbólica das chaves da cidade ao Rei Momo. Teve gente que não perdeu tempo e disse que o representante do governador do Estado estava fantasiado de “enfermeiro”.
DOM PAZOLINI I
Pazolini com o cetro do Rei MomoCrédito: Leonel Ximenes
Pazolini estava tão empolgado que pediu emprestado o cetro ao Rei Momo e posou para fotos com o símbolo do poder real sobre a festa popular.
ALA DOS POLÍTICOS
Cerimônia de entrega das chaves ao Rei Momo reuniu políticosCrédito: Leonel Ximenes
Por sinal, a cerimônia de entrega das chaves é a que mais atrai políticos, ávidos pelos flashes e holofotes, ainda mais em ano eleitoral. Além do prefeito e do governador, apareceram os deputados federais Da Vitória e Evair de Melo (ambos do PP), os deputados estaduais Tyago Hoffmann (PSB) e Mazinho (PSDB) e o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (Podemos).
E TEM MAIS POLÍTICOS
Foram vistos também circulando pela passarela, em outros momentos, o líder do governo na Assembleia, Dary Pagung (PSB), e o deputado estadual Alexandre Xambinho (PSC). Além do presidente da Câmara de Vitória, Leandro Piquet (Republicanos).
ARROZ DE FESTA
Evair de Melo, que não para um minuto sequer, antes do Sambão participou da Sommerfest, em Domingos Martins.
SÓ FALTA O TERNO BRANCO
O deputado estadual Mazinho dos Anjos (PSDB) está sendo tratado como “patrono” da Novo Império. No Rio de Janeiro, só para lembrar, patronos são os bicheiros.
NÃO TEM CORONÉ NO SAMBA
Por falar na Novo Império, a escola veio repleta de políticos na avenida. A escola homenageou a cidade de Barra de São Francisco, do prefeito Enivaldo dos Anjos, tio de Mazinho. O coroné, como é conhecido, não apareceu por estar com problema na coluna.
FOLIÃO DE POLTRONA
O governador Casagrande e a primeira-dama, dona Virgínia, assistindo ao desfile pela TV, em casaCrédito: Divulgação
A exemplo do aliado Enivaldo, o governador Casagrande (PSB) também ficou vendo o desfile pela TV, enquanto se recupera de uma Covid, essa doença danada que odeia Carnaval.
DATA VENIA, DOUTOR
O presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk, estreia na avenida desfilando pela Novo ImpérioCrédito: Leonel Ximenes
O presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk, estreou na passarela do samba desfilando na Novo Império. Como sambista, o simpático e competente doutor é um excelente... advogado.
ATRAVESSOU 1
Fora da passarela do samba, ocorreu mais uma vez a evolução de motoristas de táxis sem taxímetro. Uma corrida até Manguinhos, na Serra, saía por R$ 180; até a Praia da Costa, R$ 80.
ATRAVESSOU 2
A mesma coisa acontecia com o Uber. Uma corrida até Bento Ferreira, que no aplicativo saía por menos de R$ 20, estava sendo cobrada por R$ 80.
CONSTATAÇÃO
O Sambão, construído no século passado, está precisando de uma repaginada, para acompanhar a evolução e o profissionalismo do desfile das escolas de samba de Vitória.
MÃOS À OBRA
Poça de água imunda ao lado da passarela do sambaCrédito: Leonel Ximenes
Aos fatos: no mesmo dia em que as escolas cumprem, por exemplo, rigorosamente o horário do desfile, a água escoava de bueiros no corredor de serviço da imprensa e de outros profissionais ao lado da passarela. Sem contar os pedaços da arquibancada que caíram pelo lado externo do Sambão.
PETISTA EM MOVIMENTO
O chefão da Polícia Federal no ES, Eugênio Ricas, foi visto com uma vistosa camisa vermelha no corredor ao lado da passarela do samba. Um desavisado poderia achar que se tratava de um companheiro petista.
DESSERVIÇO
E por falar no corredor, entra ano, sai ano, ninguém dá jeito: o local (que é de serviço) acaba servindo de passarela para gente que não tem serviço para fazer ali.
CARTEIRADA, NÃO!
Os seguranças da sala de imprensa do Sambão tiveram trabalho para impedir a entrada de um cachorrinho fofinhoCrédito: Divulgação
Os seguranças da sala de imprensa do Sambão tiveram trabalho para impedir a entrada de um cachorrinho fofo que foi uma das estrelas do desfile do grupo de acesso, na noite de sexta (2).
AUSÊNCIA NOTADA
Anfitrião da festa, micareteiro das antigas e fã do Carnaval, o prefeito Lorenzo Pazolini não apareceu na primeira noite dos desfiles das escolas de samba.
O LADO B DO CARNAVAL
Também na sexta, foliões, muito irritados, enfrentaram uma longa fila, sob chuva, para ter acesso a um dos camarotes, no final do Sambão. O motivo: somente uma pessoa da organização estava com a maquininha de leitura das credenciais.
BANHEIROS UNISSEX
Na primeira noite, marcada pela chuva no começo do desfile, os banheiros das mulheres estavam lotados. Teve gente que viu algumas, no “desespero”, invadir o espaço dos homens.
NOTA ZERO
Chuva e desfile de escolas de samba: essa mistura não dá boa harmonia.
DEZ, NOTA DEZ!
O trabalho anônimo de milhares de pessoas para fazer o Carnaval acontecer.
APAGÃO DIGITAL
O sinal aberto de internet da Prefeitura de Vitória funcionou muito bem até a apresentação da primeira escola, a Novo Império. Depois, com o Sambão cheio, o sinal ficou instável, assim como o 4G de algumas operadoras.
MULHERES, UNI-VOS!
Ônibus que transporta os jurados na pista do SambãoCrédito: Leonel Ximenes
O corpo de jurados do desfile das escolas de samba é formado por 27 integrantes - mas apenas cinco são mulheres. É caso para Xandão resolver!
NA ALA DOS REVOLTADOS
Revoltado com a Liga das Escolas de Samba por ter recebido apenas uma credencial para o camarote (ele queria duas, a outra para a sua mulher), o deputado estadual Denninho Silva (União) destruiu o documento e não foi ao Sambão, em protesto.
VÍDEO SHOW
Denninho destruindo a credencial que recebeu da Liga das Escolas de SambaCrédito: Instagram
Denninho chegou a publicar, nas redes sociais, um vídeo triturando a credencial com uma tesoura, mas depois a postagem foi apagada. O problema é que o print, assim como o vídeo, é eterno.
ALÔ, CAPIXABAS!
Não é melhor conjugar o verbo brincar do que brigar, viver do que morrer?
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.