Na entrevista, a colunista de política de A Gazeta,
Letícia Gonçalves, lembrou ao governador que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chamou de “atos análogos ao terrorismo” o que aconteceu sábado. Casagrande, entretanto, foi além.
“Acho que não são medidas análogas ao terrorismo, são atos terroristas. O que nós assistimos em Brasília foi a tentativa de um ato terrorista. De fato, isso causa muita preocupação ao Brasil todo porque a radicalização da política leva a atos terroristas.”
A seguir, o socialista pregou uma punição dura aos responsáveis por essa tentativa de levar o terror à capital federal. “É assim que começa no mundo todo. Radicalizar a punição também é fundamental. Quem está financiando isso? Quem está financiando esse tipo de compra de armamento e de explosivos?”, indagou o governador do ES.
Casagrande considerou que é necessário também que as forças federais e estaduais se juntem para apurar esses atos terroristas: “É muito importante que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal [atuem], porque são crimes federais. E com a ajuda das forças de segurança dos Estados, possam fazer essa investigação”.
Sobre a desocupação das portas dos quartéis, o governador defendeu que o novo governo haja para que os bolsonaristas sejam retirados dessas áreas. “Avalio que à medida que o novo governo assuma no dia 1º de janeiro, com o novo ministro da Defesa e o novo comandante do Exército - porque essas manifestações acontecem quase todas elas próximas a um quartel ou a uma unidade do Exército -, medidas serão tomadas para que essas áreas sejam limpas e essas pessoas sejam afastadas.”
A âncora do CBN Vitória, Fernanda Queiroz, perguntou a Casagrande de quem seria a iniciativa de retirada dos manifestantes da
porta do 38º BI, na Prainha, em Vila Velha. “Seria uma iniciativa do Exército, mas naquilo que depender do apoio do governo [do Estado], terá apoio do governo”, respondeu o governador.
Embora tenha admitido que o momento é de tensão causada pela polarização política, o governador afirmou que nenhuma medida excepcional de segurança será adotada na sua posse. E destacou a importância de se aceitar a soberania popular expressas nas urnas.
“Se teve um resultado da eleição, mesmo que tenha sido apertado, ele foi reconhecido por todos os países do mundo e pelas instituições brasileiras. As pessoas têm que compreender. Se não compreenderam no dia da eleição, têm que compreender que é hora de a gente fortalecer a democracia.”