O secretário do Ministério da Saúde formou-se pela Ufes em 2003 e foi professor do Curso de Medicina da Unesc de 2011 a 2018, sendo coordenador do curso de julho de 2012 a dezembro de 2018. Foi membro também do Comitê de Ética em Pesquisa da Unesc.
Admirador de Olavo de Carvalho, considerado o “guru” do bolsonarismo, o médico fez um documento pelo qual rejeitou o protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) que contraindica o uso do "kit Covid", ou tratamento precoce, em pacientes em regime ambulatorial, ou seja, que não estão internados.
A posição de Hélio Angotti vai na contramão da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autoridade máxima sanitária do Brasil, e também contraria a posição das principais entidades e autoridades em saúde do mundo, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
Além das agências atestarem a eficácia e segurança da vacina, todas contraindicam o uso de medicamentos do kit Covid, como
cloroquina, ivermectina e hidroxicloroquina.
Angotti, que se autodefine como “cristão, médico, professor, gestor e escritor” nas redes sociais, criticou o protocolo da Conitec. Segundo ele, há uma discrepância no “rigor científico’’ para diferentes métodos de tecnologia.
Ou seja, segundo o médico bolsonarista, que nasceu em Governador Valadares (MG), a Anvisa teria sido extremamente exigente para avaliar o uso do kit covid e permissiva com relação à aprovação da vacina. "A hidroxicloroquina sofreu avaliação mais rigorosa do que aquela feita com tecnologias diferentes", publicou no documento.
Mas as reações já começaram após o veto do
Ministério da Saúde às diretrizes que contraindicam o uso de medicamentos do kit Covid. Segundo o site Metrópoles, Hélio Angotti Neto deve ser convocado nos próximos dias a depor na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por sua vez, anunciou que acionará o
Supremo Tribunal Federal (STF) contra a pasta e o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do órgão. O parlamentar confirmou que pretende entrar ainda com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e uma notícia-crime contra o secretário no STF nesta segunda-feira (24).
Angotti é um dos enquadrados pela CPI da Covid do Senado Federal, por epidemia com resultado de morte (artigo 267 do Código Penal). Ele foi alvo da comissão por ser um dos defensores do chamado “tratamento precoce”.
Em depoimento ao Ministério Público Federal no Amazonas, o secretário chegou a afirmar ter auxiliado a médica Mayra Pinheiro, também secretária do Ministério da Saúde, a viabilizar uma viagem de médicos a
Manaus (AM), para que eles pressionassem profissionais locais a receitar cloroquina.