O secretário de Controle e Transparência do Estado (Secont), Edmar Camata, se reuniu com o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, na última terça-feira (13), em Brasília. Na pauta, a escolha do novo diretor-geral da
Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Camata, que é policial rodoviário federal de carreira, foi candidato a deputado federal pelo PSB em 2018, mas não se elegeu. Logo depois, para assumir a Secont a partir de 2019, teve que, por exigência legal, se desfiliar do partido.
“Conversei durante uma hora e 40 minutos com o Flávio Dino”, confirma Camata, que ressalva que outras pessoas também conversaram com o futuro
ministro da Justiça do presidente Lula.
Para ele, assumir a direção-geral da PRF representaria um marco para o Estado: “O Espírito Santo nunca teve ninguém nessa posição. Os resultados obtidos em transparência e governança aqui qualificam o nosso Estado e as pessoas a terem um protagonismo nacional”.
Segundo reportagem do Estadão desta sexta-feira (16), Camata é um dos cotados para o cargo ao lado de Maria Alice Nascimento Souza, ex-superintendente do Paraná, que ocupou o cargo de diretora-geral da PRF entre 2011 e 2017. Foi a primeira mulher a chegar ao posto, por escolha do então ministro da Justiça, o petista José Eduardo Cardozo.
Outro nome ventilado, segundo o jornal paulista, é o de Diego Patriota, neto do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). O policial, desde julho, é o superintendente do Pará. Antes, desde maio de 2021, era o chefe da PRF no Amazonas.
Outros nomes são analisados pelo entorno de
Lula, informa o Estadão. Entre eles também está o do policial Fabrício Rosa, fundador do grupo Policiais Antifascistas e militante do movimento LGBTQIA+. Ele já presidiu a Comissão Nacional de Ética da PRF.
A Polícia Rodoviária Federal vive uma grande crise. A Justiça Federal do Rio Janeiro tornou réu por improbidade administrativa o diretor-geral da PRF,
Silvinei Vasques, por ter pedido votos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições enquanto chefe da corporação.
A conduta de Silvinei durante as eleições também é alvo de investigação em inquérito da Polícia Federal, que apura a
blitz da PRF no dia do segundo turno das eleições. Agentes paravam ônibus que faziam o transporte gratuito de eleitores, principalmente no Nordeste, onde Lula teve mais votos.
O comportamento da PRF diante dos bloqueios ilegais de rodovias por bolsonaristas depois das eleições também é investigado pela PF. Para o MPF, há indícios de omissão por motivos políticos.