Apesar de estar há mais de um ano no olho do furacão e no combate incansável à pandemia de Covid-19, o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, ainda consegue ser ativo nas redes sociais e mostrar sua fina ironia em algumas postagens. Aconteceu mais uma vez.
O recado subliminar, claro, é para todos aqueles que afirmam que as medidas de restrição adotadas pelos Estados e municípios para combater o avanço da pandemia é “coisa de comunista”. Neste grupo, estão, principalmente, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), crítico de todas as políticas restritivas de locomoção e funcionamento das atividades econômicas.
A ironia é certeira: afinal, o todo-poderoso
Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” do presidente, fez carreira e fortuna no mercado financeiro, atividade intrinsecamente ligado ao liberalismo e o capitalismo, adversários históricos e ideológicos do comunismo.
Na matéria publicada no site de A Gazeta nesta quarta-feira (25), Paulo Guedes, destoando da posição do presidente da República, admite que a adoção do lockdown na pandemia serve para “desacelerar a velocidade de contágio” da Covid-19 enquanto se acelera a velocidade da vacinação.
O ministro da Economia, entretanto, não quis se comprometer em dizer que apoia uma eventual decretação de um lockdown nacional, hipótese há muito rechaçada com veemência pelo seu chefe,
Jair Bolsonaro.
Ainda no Twitter, o secretário Nésio Fernandes demonstrou ter tido boa impressão no primeiro contato, ainda que virtual, com o novo (e quarto) ministro da Saúde do atual governo, Marcelo Queiroga.
“Ontem tivemos reunião com o Ministro da Saúde @mqueiroga2. O sentimento/expectativa no @ConassOficial [Conselho Nacional de Secretários de Saúde] é de que o Brasil terá um gestor sério e que expressou responsabilidade nos temas necessários ao enfrentamento à pandemia no país”, elogiou Nésio Fernandes.
Mas quem fere com ironia, com ironia é ferido. Numa postagem recente, Nésio disse que no Brasil do século XXI: "Médicos precisam explicar que não se inala comprimidos; geógrafos precisam explicar que a terra não é plana; banqueiros precisam defender lockdown para salvar a economia; cientistas precisam explicar que a vacina não transforma ninguém em jacaré".
Também com muita ironia, um internauta e seguidor do secretário de Saúde no Twitter estocou: "E professor de direito precisa explicar que as garantias constitucionais são para todos". Talvez uma crítica às medidas de restrições adotadas por prefeitos e governadores, inclusive
Renato Casagrande (PSB).