“Se me falassem há um ano atrás que o
Espírito Santo poderia produzir trigo de qualidade e com muita rentabilidade ao produtor, eu chamaria essa pessoa de louca.” Arthur Orletti Sanders é essa pessoa que pode falar isso, sem nenhum vestígio de loucura: é que ele conclui nesta sexta-feira (8) a primeira (e excelente) colheita comercial de trigo no Estado. E num lugar quente, o município de Pinheiros, no
Norte do Estado.
Tudo começou há cerca de um ano, quando Arthur Sanders, de 37 anos, recebeu um vídeo no seu celular com uma reportagem sobre a produção de trigo no Rio Grande do Norte. Ele fez contatos com o consultor responsável pela cultura e ficou sabendo que, em climas mais quentes, haveria condições de produção de uma variedade de trigo desenvolvida para o Cerrado. Arthur resolveu apostar neste mundo novo na agricultura capixaba. Não se arrependeu, como o leitor vai ver em seguida.
Plantada próximo da localidade de Braço do Rio, às margens da BR 101, a variedade de trigo escolhida pelo produtor se chama TbioAton, desenvolvida pela Bio Trigo Genética para clima típico do Cerrado brasileiro. A colheita é feita 90 dias após o plantio, um desempenho excelente, haja vista que nas regiões produtoras tradicionais a colheita é feita de 120 a 130 dias após o plantio.
A produtividade também é excelente. Sanders está colhendo 50 sacas por hectare, índice acima da média nacional, que é de 40 sacas, mas ele planeja voos mais altos, haja vista que o recorde nacional é de 160 sacos por hectare, obtido também com uma variedade de trigo para o Cerrado.
“Neste ano estamos colhendo 140 toneladas de trigo numa área de 50 hectares, mas para 2022 vou dobrar a área plantada e a produtividade”, planeja o produtor.
Um dos segredos para essa alta produtividade em
Pinheiros, segundo Sanders, é a amplitude térmica da região, a diferença entre a menor e a maior temperatura num único dia. Em Pinheiros, essa diferença, entre março e setembro, já chegou a 17 graus, favorecendo a produtividade e precocidade da planta. O trigo capixaba é cultivado sob essas condições favoráveis e a uma altitude de 70m.
Qualidade e produtividade combinam com lucratividade. O produtor conta que investiu apenas R$ 60 mil na cultura do trigo e vai faturar até R$ 1,6 mil por tonelada, num total de R$ 180 mil. “Fim um investimento barato que me dá 100% de lucro, mas ainda posso alcançar 300%.”
Outra vantagem da cultura do trigo, segundo aponta, é a facilidade na comercialização. Toda a primeira produção comercial da sua propriedade está sendo vendida para um moinho tradicional de Vitória. “O caminhão é carregado no campo, no momento da colheita”, comemora.
Produtor de feijão e milho, Sanders começa a se mexer para investir em outra cultura típica do Cerrado, a soja, que futuramente será plantada na sua fazenda de 600 hectares, da qual é sócio junto com seu irmão e sua mãe, que é viúva.
“Meu foco é na cultura que vende em dólar”, ressalta Sanders, que é formado em Direito, também já foi funcionário público municipal e trabalhou como empregado em empresas privadas. Entretanto, ele resolveu largar tudo para se dedicar ao agronegócio.
Pelo visto, ele acertou no caminho que escolheu. E na variedade do trigo, é claro.