Parece que nem todo mundo ficou satisfeito com o reajuste salarial de 6% para os servidores, anunciado na tarde desta segunda-feira (31) pelo governo do Estado e
antecipado pela colunista Letícia Gonçalves. Em nota, o Sindicato dos Servidores Públicos do ES (Sindipúblicos) criticou o aumento, por considerá-lo abaixo da inflação acumulada no ano passado e que não repõe as supostas perdas salariais no governo
Casagrande.
“Enquanto só no seu governo as perdas foram superiores a 20%, ele anunciou nesta segunda-feira que irá conceder apenas 6% para ‘quase’ todos os servidores. Isso devido aos profissionais da segurança pública terem garantido 10% (6% mais 4% já negociados)”, diz o comunicado do sindicato.
Além das perdas, o Sindipúblicos, em sua nota oficial, considerou que o reajuste de 6% não repõe a
inflação do ano passado. “Só em 2021, a inflação no
Espírito Santo bateu os 11,5% (IPCA). Além de não cumprir com sua palavra, que garantiu durante as eleições que iria recompor – ao menos em parte – as perdas já acumuladas, o governador Casagrande contribuiu para aumentar o achatamento salarial dos servidores públicos.”
O sindicato afirmou que o Estado, por ter alcançado um equilíbrio fiscal reconhecido até nacionalmente, poderia ter dado um reajuste maior. Aliás, neste aspecto, até o governo anterior ao de Casagrande foi criticado.
“Mesmo o Espírito Santo tendo alcançado nota A e estar bem abaixo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governador Renato Casagrande anunciou um índice bem abaixo da inflação acumulada repetindo a fórmula do seu antecessor Paulo Hartung.”
Para o Sindipúblicos, a perda seria ainda maior se levado em conta o aumento da contribuição previdenciária dos servidores: “Considerando que os 3,5% anteriores foram engolidos pelo aumento de 3% da previdência, vamos ter em quatro anos apenas 6% de recomposição, o que não cobre sequer o último ano de inflação”, reclamou Iran Milanez Caetano, presidente do sindicato.
Por fim, a entidade representativa dos servidores públicos estaduais acusa o governo de não dialogar com a categoria, de faltar com a transparência e anuncia que irá em breve vai convocar uma assembleia para decidir os rumos do movimento pela recomposição inflacionária, na qual será discutida a possibilidade de greves e paralisações.
Casagrande justificou à colunista Letícia Gonçalves o reajuste de 6% aos servidores: "Nós, historicamente, no Espírito Santo concedemos reajustes lineares abaixo da inflação porque as carreiras já têm um crescimento automático [nos salários] devido a progressões e promoções”.
"O servidor como um todo, grande parte, sabe que estamos vivendo um momento de desemprego alto [na iniciativa privada]. Quem tem vínculo estável e ainda consegue reajuste é uma posição que precisa ser acolhida", complementou o governador. O impacto do reajuste nos cofres públicos vai ser de R$ 400 milhões por ano.