O mar pode não ficar para o surfe, no litoral de
Aracruz. A onda começou quando um grupo de surfistas se mobilizou para sugerir à
Imetame uma modificação no projeto de construção de um dos píeres do porto da empresa. Segundo os atletas, se a estrutura for feita do jeito que está prevista, um dos três melhores picos de surfe do país, conhecido como Secret, vai simplesmente acabar.
A proposta dos surfistas, já apresentada à empresa, que está instalando um porto no litoral
Norte do Estado, é uma modificação no projeto do píer. Eles querem que após 200m já dentro do mar, seja feita uma nova angulação para o píer, de forma a preservar as ondas para a prática do surfe.
“O píer fica exatamente em cima da onda. Se ficar do jeito que está no projeto, vai acabar a onda”, prevê Alexandre Góes Batalha, surfista e sócio de uma empresa que faz estudo de impacto ambiental. “E não é qualquer onda, é uma power, está entre as três melhores do Brasil. É comparável à de Pipeline [no Havaí,
EUA]”, destaca.
Segundo Alexandre, a modificação proposta pelos surfistas é viável e prevê uma curva após 200m do píer, com nova angulação. “A empresa não vai perder cais”, afirma. O píer Norte, que já está em construção, avança cerca de 20 metros no pico do surfe, na ponta da onda, reforça.
A campanha pela preservação do pico do surfe naquele ponto do litoral de Aracruz está mobilizando surfistas de todo o país, que gravaram vídeos de apoio à causa. A coluna assistiu a quatro desses vídeos, pelos quais os profissionais apelam ao próprio presidente da Imetame, Étore Selvatici Cavallieri, pedindo a mudança no projeto. Gravaram depoimentos Felipe Toledo, o próprio Alexandre Batalha, Rodrigo Cardoso e Carlos Burle.
Em nota enviada à coluna, a Imetame diz que durante 10 anos foram realizados vários estudos visando atender à legislação, meio ambiente, normas reguladoras e normas internacionais, de diversas instituições e órgãos, para se chegar ao formato atual do porto no litoral de Aracruz.
“Ao longo de quase 10 anos de licenciamento ambiental, houve várias audiências públicas cujas contribuições foram avaliadas e consideradas pelo Iema na forma da lei, gerando as condicionantes que estamos cumprindo plenamente”, diz o texto.
E prossegue: “Desde o início, foram realizados diversos estudos técnicos, respeitando normas nacionais e internacionais, visando a segurança da navegação e operações, em consonância igualmente com requisitos das autoridades relacionadas, tais como Marinha, Antaq, Secretaria de Portos,
Iema, entre outros, em consonância com os empreendimentos existentes”.
Por fim, a Imetame afirma que o processo foi transparente e aberto ao público: “As audiências foram abertas a todos os interessados, que foram ouvidos em suas ponderações de impacto da obra, e o endereçamento dessas questões resultaram nas condicionantes ambientais, as quais o empreendimento vem cumprindo rigorosamente”.