O projeto básico de duplicação da
BR 262 no Espírito Santo prevê a construção até de um túnel de 700 metros de extensão em Venda Nova do Imigrante, um dos trechos considerados mais complexos para a modernização da rodovia federal em território capixaba.
“É uma obra ousada, por isso o alto investimento”, resume Romeu Scheibe Neto, superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Espírito Santo (Dnit-ES), que apesar disso se mostra otimista com a possibilidade de atrair várias empresas para disputar a licitação do projeto, cujo vencedor será conhecido no dia 26 de abril.
Além do túnel, a menina dos olhos do estudo, o projeto básico contempla itens como a duplicação propriamente dita, o traçado e o tipo de pavimento, que deverá ser rígido o suficiente para comportar o tráfego e as características climáticas chuvosas da
região serrana capixaba, por onde passa a 262.
“Depois de três tentativas de concessão frustradas, não podemos errar mais”, admite Scheibe Neto, em referência ao fracasso da entrega da rodovia federal à iniciativa privada ao longo dos últimos anos.
Desta vez, segundo o superintendente do Dnit-ES, o projeto está cercado de cuidados adicionais, como o estudo geotécnico do subsolo da rodovia, item que não estava presente nos projetos anteriores.
“Ao longo da rodovia existem muitas rochas, algumas fraturadas, o que comprova as dificuldades e a necessidade de um bom diagnóstico. Além dessa investigação geotécnica, o projeto básico compreende um detalhado estudo ambiental, haja vista as características naturais da região por onde passa a 262”, pontua.
Mas o grande desafio não é o projeto básico, mas a duplicação de fato da BR 262, uma reivindicação antiga (e justa) de toda a sociedade capixaba. Segundo Scheibe Neto, com um bom projeto básico em mãos, o governo federal vai estudar posteriormente as formas de financiamento para a megaobra.
Neste primeiro momento,segundo ele, o próprio Dnit pode tocar a duplicação. Futuramente, entretanto, o governo federal pode, se quiser, tentar mais uma vez conceder o trecho capixaba da 262 à iniciativa privada.
Mas o ponto de partida é a elaboração de um bom projeto básico. Parece que a duplicação, desta vez, está no caminho certo. Chega de tanto sofrimento!