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Leonel Ximenes

Tem capixaba no 1° centro de mergulho científico da América Latina

Biólogo formado pela Ufes coordena estação que apoia pesquisa de espécies marinhas em grandes profundidades pelo mundo afora

Publicado em 15 de Março de 2022 às 02:09

Públicado em 

15 mar 2022 às 02:09
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Hudson Pinheiro está trabalhando no litoral de São Paulo
Hudson Pinheiro está trabalhando no litoral de São Paulo Crédito: João Luiz Gasparini
O biólogo capixaba Hudson Pinheiro, de 40 anos, foi convidado pela Universidade de São Paulo (USP) para comandar o projeto da primeira estação de suporte ao mergulho científico da América Latina, que será instalada na cidade de São Sebastião, no litoral Norte paulista.
Natural de Vitória, Hudson, que é graduado e tem mestrado em Biologia pela Ufes, trabalha no Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar), também em São Sebastião. Ele teve um projeto selecionado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para implantar uma estação de mergulho com ênfase no mergulho técnico.
A função de Hudson é de coordenador da estação submarina e de auxílio ao mergulho técnico. O projeto já está em andamento e tem orçamento previsto de R$ 3 milhões. A estação começará a ser construída neste ano e tem previsão para ser concluída no prazo de um ano. Outros três pesquisadores serão capacitados na estação para realizarem o mergulho técnico e a pesquisa em grandes profundidades do mar.
“Queremos com esse centro de mergulho técnico conhecer melhor nossos ecossistemas profundos e novas espécies. A gente conhece muito pouco esses ambientes, mas ao mesmo tempo depende muito deles porque a pesca já foi praticamente esgotada nos ambientes mais rasos e agora depende desses ambientes mais profundos”, explica.
Peixe descoberto em grande profundidade pela expedição de Hudson
Peixe afrodite, descoberto a 130m de profundidade no Arquipélago de São Pedro e São Paulo Crédito: Luiz A. Rocha
Segundo ele, o CEBIMar tem toda a estrutura para dar suporte à pesquisa submarina em grandes profundidades. “A ideia da Fapesp com esse investimento é para que eu possa trazer essa tecnologia para a USP e possibilitar, mediante o treinamento de pesquisadores. O CEBIMar tem embarcações, técnicos de mergulho e ambientes próximos que já permitem esse treinamento”, destaca.
O biólogo capixaba conta que há poucos centros de mergulho técnico-científico no mundo. Existem unidades na Califórnia e no Havaí, ambas nos EUA, mas o cientista diz que muitos pesquisadores acabam realizando essa atividade de forma independente, fora do suporte universitário.
Colônia de corais na Califórnia, EUA, descoberta  por uma das expedições científicas com a presença do biólogo capixaba
Recifes da Cadeia Vitória-Trindade, no topo do monte submarino Davis, a cerca de 30m de profundidade Crédito: Luiz A. Rocha
“Eles atuam apoiados por ONGs e empresas. Tem um grupo francês que tem realizado essa atividade, mas eu pessoalmente só conheço esses grupos. Conheço também cerca de dez mergulhadores independentes, mas eles atuam de forma não regular e sem chegar a essa profundidade que a gente tem trabalhado, de 150 metros.”
Hudson aprimorou na Academia de Ciências da Califórnia (EUA), onde atuou por sete anos, e até hoje é filiado à entidade científica: “Faço parte de um grupo de mergulhadores técnicos que participam de um projeto científico de exploração de arrecifes de até 150 metros de profundidade ao redor do mundo”.
"Nossas descobertas têm se destacado em importantes jornais científicos. Essa cadeia tem permitido o estudo da evolução e origem da biodiversidade de organismos marinhos"
Hudson Pinheiro - Biólogo e mergulhador científico capixaba, sobre a cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade
Ele conta que sua mais recente expedição científica foi realizada nas Ilhas Maldivas, em janeiro, no Oceano Índico. O especialista capixaba participa de pelo menos quatro expedições científicas anuais ao fundo do mar.
Nessas expedições, ele e outros mergulhadores têm descoberto, em média, duas novas espécies marinhas por hora. “Na última expedição, nas Maldivas, descobrimos oito novas espécies no fundo do mar e outras cinco ainda estão em análise”, comemora.
Ela chama a atenção para a riqueza e a diversidade do fundo do mar no Espírito Santo. Na cadeia Vitória-Trindade, por exemplo, Hudson diz que existe uma formação de montanha submarina, onde a profundidade no topo é de cerca de 80 metros.
Mergulhador ilumina uma colônia de corais em alta profundidade
Hudson Pinheiro conduzindo atividade de pesquisa nas paredes do Arquipélago de Fernando de Noronha, a 110m de profundidade Crédito: Mauritius Bell
“Exploramos por duas vezes e encontramos duas novas espécies de peixes e um ecossistema novo que a gente está descrevendo neste momento. Estamos chamando este ambiente de Colinas Coralinas, porque são formadas de algas coralinas, que são algas calcárias que crescem e formam estruturas de até 60 metros de altura, alcançando 20 metros da superfície. Estas colinas abrigam uma grande quantidade de espécies marinhas”, ensina.
Segundo o cientista capixaba, os estudos têm mostrado que a cadeia Vitória-Trindade é um dos maiores laboratórios naturais do mundo: “Nossas descobertas têm se destacado em importantes jornais científicos. . Essa cadeia tem permitido o estudo da evolução e origem da biodiversidade de organismos marinhos”. 
Portanto, o Espírito Santo não é famoso só pelas suas montanhas em terra. No fundo do mar do litoral capixaba, há montanhas únicas no mundo. Palavra da Ciência. 

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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