O biólogo capixaba Hudson Pinheiro, de 40 anos, foi convidado pela Universidade de
São Paulo (USP) para comandar o projeto da primeira estação de suporte ao mergulho científico da América Latina, que será instalada na cidade de São Sebastião, no litoral Norte paulista.
Natural de Vitória, Hudson, que é graduado e tem mestrado em Biologia pela
Ufes, trabalha no Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar), também em São Sebastião. Ele teve um projeto selecionado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para implantar uma estação de mergulho com ênfase no mergulho técnico.
A função de Hudson é de coordenador da estação submarina e de auxílio ao mergulho técnico. O projeto já está em andamento e tem orçamento previsto de R$ 3 milhões. A estação começará a ser construída neste ano e tem previsão para ser concluída no prazo de um ano. Outros três pesquisadores serão capacitados na estação para realizarem o mergulho técnico e a pesquisa em grandes profundidades do mar.
“Queremos com esse centro de mergulho técnico conhecer melhor nossos ecossistemas profundos e novas espécies. A gente conhece muito pouco esses ambientes, mas ao mesmo tempo depende muito deles porque a pesca já foi praticamente esgotada nos ambientes mais rasos e agora depende desses ambientes mais profundos”, explica.
Segundo ele, o CEBIMar tem toda a estrutura para dar suporte à pesquisa submarina em grandes profundidades. “A ideia da Fapesp com esse investimento é para que eu possa trazer essa tecnologia para a USP e possibilitar, mediante o treinamento de pesquisadores. O CEBIMar tem embarcações, técnicos de mergulho e ambientes próximos que já permitem esse treinamento”, destaca.
O biólogo capixaba conta que há poucos centros de mergulho técnico-científico no mundo. Existem unidades na Califórnia e no Havaí, ambas nos
EUA, mas o cientista diz que muitos pesquisadores acabam realizando essa atividade de forma independente, fora do suporte universitário.
“Eles atuam apoiados por ONGs e empresas. Tem um grupo francês que tem realizado essa atividade, mas eu pessoalmente só conheço esses grupos. Conheço também cerca de dez mergulhadores independentes, mas eles atuam de forma não regular e sem chegar a essa profundidade que a gente tem trabalhado, de 150 metros.”
Hudson aprimorou na Academia de Ciências da Califórnia (EUA), onde atuou por sete anos, e até hoje é filiado à entidade científica: “Faço parte de um grupo de mergulhadores técnicos que participam de um projeto científico de exploração de arrecifes de até 150 metros de profundidade ao redor do mundo”.
Ele conta que sua mais recente expedição científica foi realizada nas Ilhas Maldivas, em janeiro, no Oceano Índico. O especialista capixaba participa de pelo menos quatro expedições científicas anuais ao fundo do mar.
Nessas expedições, ele e outros mergulhadores têm descoberto, em média, duas novas espécies marinhas por hora. “Na última expedição, nas Maldivas, descobrimos oito novas espécies no fundo do mar e outras cinco ainda estão em análise”, comemora.
Ela chama a atenção para a riqueza e a diversidade do fundo do mar no
Espírito Santo. Na cadeia Vitória-Trindade, por exemplo, Hudson diz que existe uma formação de montanha submarina, onde a profundidade no topo é de cerca de 80 metros.
“Exploramos por duas vezes e encontramos duas novas espécies de peixes e um ecossistema novo que a gente está descrevendo neste momento. Estamos chamando este ambiente de Colinas Coralinas, porque são formadas de algas coralinas, que são algas calcárias que crescem e formam estruturas de até 60 metros de altura, alcançando 20 metros da superfície. Estas colinas abrigam uma grande quantidade de espécies marinhas”, ensina.
Segundo o cientista capixaba, os estudos têm mostrado que a cadeia
Vitória-Trindade é um dos maiores laboratórios naturais do mundo: “Nossas descobertas têm se destacado em importantes jornais científicos. . Essa cadeia tem permitido o estudo da evolução e origem da biodiversidade de organismos marinhos”.
Portanto, o Espírito Santo não é famoso só pelas suas montanhas em terra. No fundo do mar do litoral capixaba, há montanhas únicas no mundo. Palavra da Ciência.