No último dia 11, foi realizada na Santa Casa de Misericórdia de
Guaçuí, no
Sul do Estado, uma complexa cirurgia sem o uso de transfusão de sangue de outra pessoa. A paciente, de 33 anos, é Testemunhas de Jeová e, por convicções pessoais, não aceita transfusão de sangue alogênico (doado por outra pessoa)
A mulher foi submetida a uma histerectomia total, consistindo na remoção do útero. Devido ao mioma de tamanho considerável, a cirurgia teve um grau elevado de complexidade e exigiu dos médicos muita habilidade. Eles enfrentaram o desafio de utilizar estratégias que não entrassem em conflito com a consciência religiosa da paciente.
Os cirurgiões Francisco Costa e Jehovah Tavares e o anestesiologista Alberico José Benicá utilizaram nesta cirurgia o suporte de uma máquina de recuperação intraoperatória de células. Esta máquina tem a função de aspirar o sangue da própria paciente que flui da cavidade cirúrgica. Este sangue (no caso da paciente de Guaçuí, foram 125 ml) que seria descartado é reinfundido, após passar por alguns processamentos, técnica aceita por algumas Testemunhas de Jeová.
O uso desta máquina e a habilidade dos médicos de conduzir o procedimento com técnicas que minimizam a perda sanguínea permitiu que a cirurgia fosse realizada com êxito.
No caso das Testemunhas de Jeová, receber transfusão de sangue de outras pessoas estaria em desacordo com seu entendimento de textos bíblicos como o de Atos 15: 28, 29, onde diz: “Persistam em abster-se de sangue”.
Porém, várias pessoas, que preferem ou não podem receber transfusões de sangue por outros motivos, podem também ser beneficiadas pelas mesmas estratégias usadas nesta cirurgia. No Brasil, estas estratégias já têm previsão legal para utilização nos serviços públicos de saúde.
Na Santa Casa de Guaçuí, o resultado conciliou um procedimento cirúrgico complexo e, ao mesmo tempo, o respeito ao direito constitucional de autonomia e liberdade de consciência e crença de um paciente. “É uma vitória para a gente aqui na Santa Casa. Sempre inovando e buscando fontes seguras e o melhor para o paciente”, comemorou o doutor Jehovah Tavares.
"É uma inovação importante tanto para pessoas que têm alguma incompatibilidade sanguínea, ou aquelas que, por qualquer motivo, se recusam a receber transfusão. É a tecnologia a serviço da saúde”, afirmou a direção do hospital nas redes sociais.