Marcelo Assumpção, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), que integra a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), afirmou que o histórico de eventos no
Espírito Santo sugere que o Estado não tem alto grau de ameaça sísmica.
“Embora não seja possível prever a evolução da atividade deste ano, nenhum sismo no passado indica que o Estado do Espírito Santo tenha alto grau de ameaça sísmica”, explicou Assumpção, referência no estudo sobre terremotos no país.
O tremor de terra de magnitude 1.4 MLv, registrado em Lajinha de Pancas, é considerado de magnitude pequena, segundo o professor da USP, pode ser decorrente de uma falha geológica da região e não representa perigo. E só foi percebido pelos moradores, de acordo com Assumpção, porque deve ter ocorrido a uma profundidade muito rasa, a menos de um quilômetro.
“Sismos pequenos assim podem ocorrer em qualquer local do Brasil e são resultado de acúmulo de tensões geológicas na crosta. No caso específico dos tremores deste ano em
Pancas e proximidades, não sabemos qual a razão específica. Provavelmente é alguma pequena fratura (falha geológica) que se movimentou, mas não é possível afirmar com certeza sem estudos detalhados no local”, observa.
O especialista do Centro de Sismologia da USP destaca que não há nos catálogos nenhum sismo na parte continental do Estado com magnitude superior a 3. Alguns abalos maiores têm ocorrido apenas no oceano, a dezenas ou centenas de quilômetros da costa do Espírito Santo, e também não apresentam risco, tranquiliza.
O último abalo sísmico registrado em Pancas ocorreu em 26 de maio e teve magnitude 1.7. Antes, no dia 12 de maio, um outro evento de magnitude 1.3 foi registrado na região.