As urnas estão silenciosas, os votos já foram contabilizados,
os candidatos estão escolhidos. A democracia e a soberania popular têm que ser respeitadas, não cabem mais picuinhas, retaliações, boicotes. Dizendo de outra forma: está na hora de colocar o interesse público em primeiro lugar e garantir uma transição de governo de forma democrática, respeitosa e rápida.
Sim, rápida porque os novos gestores têm apenas um mês para montar suas equipes, estudar e conhecer a realidade dos quatro municípios onde foram realizadas eleições no segundo turno no Estado. Impedir esse rito é um atentado à democracia. Não sigamos o (péssimo) exemplo do insano e inconsequente
presidente dos EUA, Donald Trump, que até poucos dias estava sabotando a transição, vedando o acesso da equipe do presidente eleito, Joe Biden, aos dados oficiais.
Não é segredo para ninguém a grande animosidade que marcou a recente campanha eleitoral, principalmente nas cidades de Vitória, Vila Velha e Serra. Ataques, calúnias, fake news, um arsenal de expedientes ilegais e antidemocráticos foi utilizado pela maioria dos atores políticos para não derrotar, mas sim destruir o adversário.
As divergências políticas e pessoais, que são naturais e até compreensíveis, devem ser postas de lado em nome da governabilidade e do interesse público. Um eventual boicote dos atuais prefeitos aos seus sucessores significará prejuízo para toda a sociedade, especialmente os mais pobres, que são os que mais precisam de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, segurança e assistência social.
Cabe aos setores responsáveis do
Espírito Santo, incluindo as instituições e a sociedade civil organizada, a vigilância implacável. Não se deve permitir ou tolerar, de forma alguma, que a divergência conjuntural, no calor do resultado das eleições, seja transformada num insano jogo de briga entre líderes políticos prepotentes com seus egos inflados.
Por isso, fica aqui o alerta aos prefeitos que estão em fim de mandato e a seus futuros sucessores: a divergência é legítima e democrática, desde que ela não extrapole seus limites e prejudique os milhares de cidadãos que não podem ser vítimas de líderes que só devem merecer essa qualificação se colocarem o interesse coletivo bem acima do individual.
Afinal, vocês foram eleitos, não são donos das prefeituras. O Espírito Santo insiste em comemorar a “colonização”, mas não somos mais uma capitania hereditária. Que o donatário Vasco Fernandes Coutinho seja apenas uma referência histórica. E que não tenha sucessores em pleno século XXI.