Este sábado (23) é um dia muito importante para os católicos do
Espírito Santo, diria mesmo que é um momento de ansiedade, mas também de profunda reflexão. É o dia da tão aguardada Romaria dos Homens, que neste ano tem um sentido muito especial porque será a primeira após dois anos de interrupção por causa da
pandemia.
Os cerca de 14 quilômetros de distância entre a Catedral Metropolitana de Vitória e o
Sítio Histórico da Prainha, em Vila Velha, longe de cansar e afastar, unem os romeiros, revigoram sua fé e nos indicam que a vida em comunidade faz muito mais sentido à nossa existência.
Homens, mulheres (que são muito bem-vindas), jovens e crianças acompanham Maria, que nos aponta o caminho do Pai, o centro da fé dos cristãos. Pela Mãe, iremos ao Pai - eis a mensagem principal da peregrinação.
São três ou quatro horas de fé, suor, emoção e lágrimas. Estaremos no meio de multidões, mas ao mesmo tempo estará diante de nós uma rara oportunidade para uma profunda reflexão.
O que estamos fazendo neste mundo? Qual a minha contribuição para que tenhamos uma vida melhor? De que lado estou neste desafio cotidiano da existência? O que tenho feito pelas pessoas que mais precisam do meu apoio, seja de ordem afetiva, espiritual ou material?
Caminhar por caminhar, nestas circunstâncias, seria um desperdício. A Romaria dos Homens não é uma atividade física nem um momento de lazer. Estaremos numa romaria - junto com Maria. E isso não é pouca coisa.
Aproveitando essa atmosfera de intensa espiritualidade e devoção, que tal fazermos um profundo exame de consciência sobre a nossa vida, nossa família, nossa sociedade e nosso país? Sou um cidadão que defende todas as formas de vida, os direitos humanos, a natureza e a democracia? Ou sou um ser intolerante, raivoso e que prega a resolução dos problemas por meio da violência?
Defendo a
Educação, a
Saúde, o
Meio Ambiente, a
Cultura e o bem-estar social, ou sou um arauto do armamentismo, da ditadura, da tortura, dos maus-tratos? Sou um ser que irradia luz ou prefiro me refugiar nas trevas? Sou um democrata ou sou um intolerante que não suporta o diferente, aquele que não pensa igual a mim?
E já que estamos falando de romaria: sou um cristão de fato que respeita a fé alheia, ou prego a aniquilação do outro só por ele ser diferente? Reconheço e respeito todas as formas de amor, ou não suporto aqueles que amam, porque amam do jeito que não entendo ser o amor? Como posso amar se tenho ódio no coração?
Aos milhares de peregrinos que forem à Romaria dos Homens na noite deste sábado, vos convido a aproveitar este momento para refletir e mudar - para melhor, é claro. Peçamos a Nossa Senhora da Penha, a padroeira do nosso querido Espírito Santo, que pegue a nossa mão e nos conduza ao encontro do Pai. Andar com fé nós vamos.