Quem passa pelo
Centro de Vitória talvez ainda veja o mesmo cenário de sempre: prédios antigos, comércio que resiste, calçadas que contam histórias. Mas, entre uma esquina e outra, há sinais de movimento. Um deles vem do antigo Fórum Muniz Freire, que voltou à ativa.
O prédio, que estava de portas fechadas, acumulando poeira e silêncio, agora abriga gente. Técnicos, engenheiros, administradores e servidores que garantem que das torneiras jorrem água, que dejetos tenham destino e que ninguém precise pensar muito sobre isso.
É a nova sede da
Cesan, a companhia de saneamento, que neste ano completa 58 anos de atividade. Uma quase sexagenária que resolveu fazer as malas e se instalar ali mesmo, no miolo do Centro.
A decisão partiu do governo do Estado, que fez um gesto concreto (é preciso mais, muito mais) na ideia de injetar vitalidade e movimento na região, que outrora foi pulsante, mas hoje convive com melancólicos prédios fechados e ociosos.
Em vez de construir ou alugar um espaço moderno na Reta da Penha ou na Enseada do Suá, a saída que seria mais lógica para o “deus mercado”, a solução encontrada pelo governo e pela empresa de saneamento foi reformar e ocupar o que já existe.
A mudança começou oficialmente no dia 23 de julho. A Cesan estacionou sua cúpula no quinto andar: presidência, diretoria, gabinete, comunicação e afins. Aos poucos, os outros setores vão chegando. A ideia é reunir até 700 funcionários ali e no prédio vizinho, o antigo Fórum Criminal.
Com isso, o Centro ganha mais gente circulando, se alimentando, comprando, usando transporte público. O presidente da Cesan, Munir Abud, fala em uma economia de quase R$ 1 milhão por ano, com a eliminação de despesas com aluguéis (R$ 600 mil) e deslocamentos (R$ 250 mil). Mas o efeito mais visível é luz acesa, elevador funcionando, restaurantes e lojas cheias.
O Centro de Vitória merece voltar a ser motivo de orgulho para os moradores da
Capital e de todo o Estado do Espírito Santo.