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Leonel Ximenes

Vacinação contra poliomielite cai 16,6% no ES. Tem um (lamentável) motivo

Fenômeno nacional está acontecendo também no Espírito Santo; situação é preocupante

Publicado em 08 de Maio de 2022 às 02:11

Públicado em 

08 mai 2022 às 02:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Dia D de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo.
Dia D de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite e sarampo, realizado em 2019 Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A cobertura de vacinação contra poliomielite tem caído no Espírito Santo. De acordo com o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, foram aplicadas 244.080 doses, no ano de 2018, enquanto que no ano passado esse número foi para 203.570, representando uma queda de 16,6% de 2018 para cá.
Para o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, essa queda tem um motivo: a campanha de desinformação feita contra as vacinas contra a Covid, no ano passado, que segundo ele também “contaminou” negativamente muitas pessoas, que acabaram não levando seus filhos para serem imunizados.
“Essa campanha de desinformação, ocorrida principalmente a partir de 2021, é um fenômeno nacional. Nada justifica essa resistência às vacinas, não houve um fator negativo que desestimulasse a vacinação”, analisa o secretário, destacando que no ano passado o Espírito Santo e os demais Estados da federação aumentaram em pelo menos 70% as salas de vacinação.
Para o levantamento realizado na coluna, foram consideradas as aplicações dos imunobiológicos: Poliomielite inativada (VIP), Oral Poliomielite (VOP), Oral Poliomielite 1ª etapa campanha (VOP) e Oral Poliomielite 2ª etapa campanha (VOP).
Desde 2019, tem caído paulatinamente a cobertura. Em 2019, foram 236.166 doses e, em 2020, 227.534, e já em 2021, a abrangência foi para 203.570.
De acordo com a Fiocruz, pelo menos 500 mil crianças no país não foram vacinadas contra a poliomielite. O número alto de pessoas sem proteção contra a doença levou a Organização Panamericana de Saúde (Opas) a incluir o Brasil na lista dos oito países da América Latina com alto risco de volta da infecção. Nos casos mais graves, a enfermidade pode provocar a paralisia.
Segundo a Opas, braço da Organização Mundial de Saúde (OMS) na América Latina, as baixas taxas de vacinação nesses países são um perigo para todo o continente. A região não registra um único caso da doença desde 1994.
O Brasil, que já teve uma cobertura de 95% da vacina da pólio, mas atualmente registra uma das mais baixas de sua história, 67%, segundo o pesquisador Akira Homma, diretor de Biomanguinhos, da Fiocruz.
O Programa Nacional de Imunizações recomenda a vacinação de crianças a partir de 2 meses até menores de 5 anos de idade, como doses do esquema básico. São dois tipos de vacinação.
A vacina poliomielite 1, 2, 3 (atenuada) (VOP) é apresentada sob a forma líquida em frasco multidose, sendo apresentada, geralmente, em bisnaga conta-gotas de plástico; e a vacina de poliomielite VIP (aos 2 e 4 meses) e uma dose da VOP (aos 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias.
São realizadas doses de reforço com a VOP aos 15 meses e aos 4 anos de idade.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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