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Leonel Ximenes

Vejam a resposta de um prefeito do ES a vereadores que querem hidroxicloroquina

Num extenso documento, Neto Barros (PCdoB), de Baixo Guandu, negou o pedido e ironizou os parlamentares: "Passem bem!"

Públicado em 

16 jul 2020 às 16:46
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Neto Barros está no seu último mandato de oito anos
Neto Barros está no seu último mandato de oito anos Crédito: PMGB/Divulgação
Os vereadores Romilson Araújo, Paulo César da Fonseca e Aguinaldo da Penha pediram à Prefeitura de Baixo Guandu, na semana passada, que compre e distribua à população hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento inicial da Covid-19.
prefeito Neto Barros, do PCdoB, negou o pedido e, numa extensa exposição de motivos, explicou por que não está adotando, na rede municipal de Saúde, os medicamentos recomendados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aliados e que acabaram sendo motivo de disputa política.
Logo no texto inicial do documento enviado hoje (16) pelo prefeito à Câmara, ao qual a coluna teve acesso, Neto Barros e sua secretária de Saúde, Terezinha Alves Bolzani, criticam o pedido dos parlamentares. “Vimos com muita consternação e preocupação que o Poder Legislativo esteja tão desconectado da realidade sobre a pandemia de Covid-19 que assola o planeta. Causa repulsa um pedido de providência desta natureza. Verdadeira excrescência! A vida de nossos conterrâneos é prioridade da Administração Municipal”, diz trecho do ofício.
Em seguida, o prefeito e a secretária de Saúde relacionam uma série de pareceres científicos, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), com comentários ácidos sobre a solicitação oficial dos três vereadores.
“Quem, em sã consciência, permitiria que alguém utilizasse medicamentos que - além de não ajudarem no combate ao famigerado coronavírus - em muitos casos, fragilizam ainda mais o paciente, e podem até matar? Tal situação chega a ser surreal!” continua o documento oficial do Executivo.
Neto Barros e Terezinha Bolzani também rebatem o argumento dos parlamentares, que sustentavam que o governo do Estado recomenda o uso de hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento inicial da Covid-19.
“Conforme o último protocolo do governo estadual, apenas em casos graves e gravíssimos fora possibilitado o uso dos medicamentos indagados por vossas excelências. E, nesse tanto, casos graves e gravíssimos ocorrem quando o paciente se encontra entubado nas UTIs dos hospitais estaduais”, destaca o longo ofício, de 2.543 palavras.
No final, prefeito e secretária criticam a suposta manipulação política de medicamentos e procedimentos científicos de combate à Covid e mandam um recado aos parlamentares, que são de oposição. “A Ciência, principalmente na área das ciências farmacêuticas e da medicina, não pode ser politizada e manipulada por outros interesses (sejam financeiros, seja para a construção ou corroboração de narrativas políticas, ou para impulsionar carreiras de celebridades médicas e políticas de curta existência). Vidas estão em jogo!!!. Passem bem!”.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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