Um vereador eleito em
Barra de São Francisco resolveu fazer do limão uma limonada, ou melhor, transformar em troféu um “presente” que ganhou, anonimamente e de forma irônica, há oito anos, quando tentou a reeleição para o terceiro mandato e perdeu.
Vamos à história, contada por quem foi vítima dela. “Eu brigava com todo mundo e tinha muitos inimigos. Depois, eu aprendi e agora sou um homem diferente”, garante Carlos Rubens da Silva (PSB), 56 anos, o “Carlim da Dengue”, como passou a ser conhecido desde que atuou como agente de saúde do município do Noroeste do Espírito Santo.
Por conta dessas inimizades, Carlim da Dengue, ao perder a eleição em 2016, recebeu, uma semana depois, uma caixa pelos
Correios. Quando abriu, a surpresa: uma enxada novinha.
“Fiquei bravo quem nem o ziza. Eu estava muito triste com a derrota, afinal, sempre trabalhei para o povo. Queria achar de qualquer maneira quem tinha me mandado aquilo. Até desconfiava, mas não tinha certeza. Afinal, eram muitos inimigos”, reconhece Carlim.
Passados uns dias, Carlos Rubens disse que se acalmou e refletiu no presente: “Gente, eu estou zangado por quê? Essa sempre foi minha ferramenta de trabalho, criei meus quatro filhos com a enxada na roça. Então, resolvi guardar a enxada até hoje”.
Depois de cumprir oito anos de mandato, tendo inclusive sido presidente da Câmara de Vereadores, Carlim em 2016 não conseguiu se eleger, obtendo 475 votos. Tentou em 2020 e, mais uma vez, fracassou com 392 votos. Mas agora, em 2024, se recuperou e teve 585 votos, dos quais 390 no distrito de Cachoeirinha de Itaúnas, onde mora e trabalha numa pequena propriedade da família, com cinco alqueires.
Ele teve 50% dos votos em todas as urnas do distrito. “Dessa vez aprendi algumas coisas importantes e também tive a oportunidade de servir à população de Barra de São Francisco como subsecretário de Agricultura e cuidei do hortão municipal. O prefeito Enivaldo [dos Anjos] me deu moral e consegui voltar. E a enxada está comigo”, conta ele.
Nesta semana, Carlim publicou um vídeo no instagram mostrando a enxada que ganhou e prometendo valorizá-la desta vez. “No dia da posse, vai ser a caneta numa mão, para assinar a ata, e na outra a enxada, que vai para um pedestal no meu gabinete. A partir de agora, a enxada é o meu símbolo”, disse Carlim da Dengue.
Na pequena propriedade da família, Carlos Rubens produz uva, café e pupunha. É comprometido com sua atividade e presta outro serviço à comunidade: um pluviômetro em sua propriedade monitora as chuvas na região. Neste início de mês de novembro, quando as chuvas voltaram depois de longa estiagem, Carlim da Dengue informa: “Já choveu 100 milímetros aqui em Barra de São Francisco”.
Chuva de bênçãos, chuva de votos para Carlim da Dengue.