Maio finalizou com 80 homicídios no Espírito Santo, um aumento de 6,67% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando 75 pessoas foram assassinadas ao longo daqueles 31 dias. Os números mostram duas realidades diferentes: o aumento da escalada da violência no interior contrastando com a diminuição dos crimes na
Grande Vitória.
Duas regiões têm tido, percentualmente, os maiores crescimentos de assassinatos. A
Serrana, das bucólicas montanhas, que teve 20 registros no ano passado, passou para 28 neste ano, havendo uma subida de 40%. E na região Noroeste esse acréscimo foi de 36,5% (de 52 para 71). Para piorar a situação, dos 21 municípios que compõem aquela área, somente três ainda não foram atingidos pelos crimes contra a vida este ano: Alto Rio Novo, Ponto Belo e Vila Pavão.
O Norte capixaba também convive com os indicadores irregulares, com o número de homicídios dolosos evoluindo, infelizmente, de 82 para 98, um percentual de 19,5% a mais em vidas perdidas. Muito do mau desempenho é protagonizado por São Mateus. A cidade do Rio Cricaré já acumula 22 homicídios, ante 14 dos mesmos cinco primeiros meses de 2020. O Sul, por sua vez, encara o empate de 46 a 46.
A exceção nesta lista é, justamente, a Grande Vitória, que registrou 213 mortes em 2021, contra 313, de 2020. Uma queda expressiva de 31,95% ou de 100 vidas poupadas. Indagações precisam ser feitas: por que houve retração na Grande Vitória e, no interior, acumularam-se novos casos? Déficit de policiais interferem? Faltam políticas públicas conjuntas de municípios e Estado? Além disso, épocas sazonais, como a colheita de café em vigor, devem ser acompanhadas com muito rigor para a proteção dos cidadãos locais.
No acumulado geral, o Espírito Santo tem uma queda de 11,11% de crimes quanto a 2020 (513 contra 456). O desafio, contudo, é se aproximar dos resultados de 2019. À época, ao fim daquele maio, havia 447 casos, mas os fatores culminantes para que aquele ano finalizasse com menos de mil mortes foram os resultados de junho (57) e julho (62). E 2021 só ficará na casa da centena dos assassinatos se repetir resultados mais pacíficos como de há dois anos. É o que esperam os cidadãos.
Assim, Vitória apresenta uma queda de 10% nos casos de assassinatos, com 27 casos, em 2021, contra 30, de 2020. Ao longo do mês que se passou, a Capital viu mais ações da Guarda Municipal, assim como das
Polícias Civil e Militar, que fizeram um trabalho para sufocar a criminalidade. Houve até promessa de reforço no policiamento do chamado Território do Bem, que engloba Itararé, Bairro da Penha, Bonfim, Engenharia, Consolação, Floresta, Gurigica e São Benedito.
A maior queda dos assassinatos, contudo, vem da Serra. Por lá, a redução foi de 45% (de 93 para 51), enquanto Vila Velha teve 41% de retração (de 75 para 44), e Cariacica, por sua vez, apresentou um retrocesso de 20% (de 88 para 70).
São Gabriel da Palha está no meio da colheita do café e o município do Noroeste capixaba precisa ficar atento. Por lá, os crimes subiram de três casos, ao longo de janeiro a maio de 2020, para 10 neste ano. Para complicar, a Covid-19 não tem dado trégua, com um aumento de 51% dos casos, na comparação da média móvel dos últimos 14 dias. O conilon, para chegar à mesa dos consumidores, depende da saúde e da segurança de toda a cadeia de trabalho.
Domingo e sábado seguem na liderança dos registros de homicídios. Foram 87 no primeiro dia da semana, enquanto 74 aconteceram no último. Os horários majoritários de assassinatos são às 21h (32) e às 22h (31).
Os 18 municípios que seguem sem homicídios no ES são:
Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibiraçu, Iconha, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Muniz Freire, Muqui, Ponto Belo, Venda Nova do Imigrante e Vila Pavão.