Assim como em julho, uma explosão de violência voltou a acontecer no Espírito Santo, que teve em agosto o mês mais letal do ano, com 108 homicídios registrados, superando a marca dos 107 que aconteceram em janeiro. Os dados são oficiais e apurados a partir de informações disponibilizadas pela
Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp).
Os números são eloquentes: agosto de 2021 foi 47,95% mais sangrento do que o mesmo mês do ano passado (108 contra 73 assassinatos). Conhecido como “mês de desgosto”, o período deixou uma marca preocupante para as autoridades de segurança pública do Estado, diante da tendência de crescimento da violência no Estado.
Desde maio o Espírito Santo vem tendo, seguidamente, meses com mais assassinatos do que os mesmos períodos do ano passado. A continuidade de resultados com desempenhos piores acabou com a grande vantagem de redução de homicídios, bastante exaltada pelo governo do Estado.
Quando terminou o primeiro semestre, a retração de assassinatos era de 8,25% (594 contra 545). Em seguida, em julho, essa diminuição caiu para 5,71% (665 contra 627).
Agora, essa queda ficou praticamente nula, no patamar de 0,41% (738 contra 735). A gordura secou, como admitem fontes da segurança pública. E concomitante a isso surgiu a tese do “crime de proximidade” para justificar o aumento da escalada da violência.
À exceção das Regiões Sul e Serrana, todas as demais tiveram resultados muito piores quando se compara agosto último com o de 2020. O destaque negativo no mês foi a
Grande Vitória.
A Região Metropolitana teve 61 mortes violentas no mês passado – o recorde do ano de 2021, superando os 49 registrados em janeiro. Essa quantidade de assassinatos teve percentual 64,86% maior que em 2020, quando aconteceram 37.
Vitória não teve paz e foi um expoente desse mau resultado, com 14 homicídios,
o maior índice do ano na Capital – esse valor também foi verificado em Vila Velha e em Cariacica. Já a Serra acumulou 17 casos.
Na matemática, existe um conceito chamado “mediana”, que ajuda a entender a tendência central dos eventos em curso. Considerando os meses do ano e seus resultados, verifica-se que essa mediana é de 88.
Isso quer dizer o seguinte: metade dos homicídios ocorridos no Espírito Santo tiveram menos de 88 casos, mas a outra metade teve mais do que esse valor. Um panorama complicado, visto que os próximos meses têm quantidade de homicídios que se aproximam da casa da centena, o que significa um grande desafio para as para ações de redução de assassinatos.
Em setembro de 2020, aconteceram 95 assassinatos e, em 2018, foram 91. A exceção ao caso foi em 2019, com 72 ocorrências. Já em outubro, no ano passado foram 90 casos, contra 88 de 2019 e outros 94 em 2018. Quantidades que vêm sendo semelhantes, avaliando-se as chamadas “margens de erro”.
Se nos próximos meses o
Espírito Santo registrar 88 homicídios dolosos em cada mês, conforme indica a mediana atual, finalizaria este ano com 1.087 mortes, uma redução de 1,81% (ano passado ocorreram 1.107 assassinatos).
Entretanto, fontes da segurança pública dizem que no atual momento não é possível cravar nada, nem mesmo com cautela de perspectiva positiva, especialmente por conflitos na Grande Vitória e o aumento das mortes no interior.
No acumulado geral, o único lugar com redução de homicídios é a Grande Vitória, com queda de 16,2% - mas que já foi bem superior. As retrações mais fortes são vistas em
Vila Velha, com 22% (113, em 2020, contra 88, em 2021), em Cariacica, com 18% (121, em 2020, contra 99, em 2021), e na Serra, com 17% (116, em 2020, contra 96, em 2021). Vitória, por sua vez, apresenta aumento de 9% das ocorrências (44, no ano passado, contra 48 deste ano).
A Região Noroeste é, disparada, a líder no crescimento de insegurança, com aumento de 41% dos casos, passando de 78 para 110. Um retrato desse triste cenário está em três municípios. Em
Pinheiros, no mesmo período do ano passado, houve oito assassinatos, mas em 2021 já foram 14 – sendo uma situação semelhante à de São Gabriel da Palha, que tem os mesmos 14 assassinatos, neste ano, contra seis de 2020. E, por fim, Nova Venécia escalou de oito para 15 mortes violentas.
As
montanhas capixabas viram os crimes letais crescerem 17,65% (de 34 para 40), enquanto no Norte esse patamar foi de 16,79% (de 131 para 153). Bolsões populosos dessa região têm tido desempenhos piores, como Linhares e São Mateus. Já no Sul, o crescimento da violência foi de 11,11%.
Ao longo deste ano foram assassinados 664 homens e 71 mulheres. O dia em que acontecem mais homicídios é o domingo, com 133 casos, seguido por terça-feira (118), sábado (111), quarta-feira (98), sexta-feira (97), quinta-feira (95) e segunda-feira (83).
Na faixa de horário, predominam os crimes à noite. A liderança da “faixa nobre” macabra fica pelas 21h (54), seguida pelas 23h (45) e pelas 22h (40).