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Bastidores

A conversa entre Casagrande e coronel Ramalho sobre as eleições de 2024

Governador esteve na casa do secretário estadual de Segurança Pública. Militar da reserva da PM quer, mesmo, ser deputado federal, mas outras cartas foram colocadas na mesa

Publicado em 09 de Novembro de 2023 às 02:10

Públicado em 

09 nov 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Alexandre Ramalho, Renato Casagrande e Tyago Hoffmann
Alexandre Ramalho, Renato Casagrande e Tyago Hoffmann Crédito: Reprodução/Instagram
No último dia 2, o governador Renato Casagrande (PSB) esteve na casa do secretário estadual de Segurança Pública, o coronel da reserva da Polícia Militar Alexandre Ramalho (Podemos).
No cardápio, arroz de costela. Mas não apenas isso. As eleições de 2024 foram o prato principal. Ramalho é um possível candidato a prefeito de Vitória, ou de Vila Velha.
O deputado estadual Tyago Hoffmann, pré-candidato do PSB à prefeitura da Capital, acompanhou o governador no encontro. E aliados do coronel também marcaram presença.
Quem conversou com Ramalho nos últimos meses o percebeu mais animado para disputar o comando do Executivo municipal de Vila Velha, quando o assunto são as eleições do ano que vem. O cenário, entretanto, indica que essa é a opção menos provável.
"Ele não deve disputar em Vila Velha. Seria uma eleição mais difícil (contra o atual prefeito, Arnaldinho Borgo) e significaria um afastamento do governo, porque Casagrande já se comprometeu a apoiar a reeleição do Arnaldinho", avaliou um integrante do grupo político do secretário estadual.
O CAMINHO ATÉ BRASÍLIA
Há outra questão a ser levada em conta: para concorrer contra Arnaldinho, Ramalho teria que sair do Podemos. E isso poderia ser um revés para o coronel.
É que ele é o primeiro suplente do partido na Câmara dos Deputados. Se Gilson Daniel ou Victor Linhalis, que ocupam cadeiras lá, se licenciassem do mandato, quem assumiria seria Ramalho. E o PM da reserva nunca escondeu de ninguém que prefere atuar no Legislativo federal.
Às vésperas do início do atual mandato de Casagrande, mais de um deputado federal estava disposto a assumir uma secretaria estadual. Entre eles, Gilson Daniel. Para evitar atritos com os outros interessados, o governador decidiu não convidar ninguém.
Após o pleito do ano que vem, porém, deve haver alguma mudança no secretariado. Poderia ser a chance de Ramalho virar deputado. Mas isso é apenas uma hipótese.
Ele também poderia não disputar o pleito de 2024 e preparar-se para a corrida eleitoral em 2026, quando os cargos de deputado federal e senador vão estar em jogo. Basta receber votos suficientes.
A PREFEITURA DE VITÓRIA
Mas a Prefeitura de Vitória também está no radar. Casagrande não disse, com todas as letras, que prefere que o coronel concorra na Capital. Os próprios aliados de Ramalho, contudo, captaram a mensagem.
Em tese, o secretário tem potencial para tirar votos do atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Afinal, os dois são de centro-direita e egressos de corporações policiais — Pazolini é delegado licenciado da Polícia Civil.
O chefe do Executivo da Capital não integra o grupo político do governador.
De acordo com um casagrandista, não haveria problema, por exemplo, se Ramalho concorresse à Prefeitura de Vitória e o deputado estadual Tyago Hoffmann, aliadíssimo de Casagrande, também.
Se quiser disputar algum cargo no ano que vem, o coronel tem que deixar o comando da Secretaria Estadual de Segurança Pública até o início de abril.
O PODEMOS
O domicílio eleitoral do secretário permanece em Vila Velha, mas ele pode mudar esse endereço no ano que vem. 
Outra alteração iminente é no Podemos de Vitória. Alguém indicado pelo coronel deve presidir a sigla no município. Seria mais um indício de apreço pela possibilidade de concorrer na cidade.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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