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A crise entre Casagrande e um de seus principais aliados

Governador diz que o deputado Da Vitória, que assumiu a presidência estadual do PP, afastou o partido do Palácio Anchieta. A sigla se aproximou do Republicanos, do prefeito Pazolini. Não se trata de algo isolado. Veja o que está em jogo

Publicado em 29 de Maio de 2023 às 16:20

Públicado em 

29 mai 2023 às 16:20
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O governador Renato Casagrande e o deputado federal Da Vitória no lançamento da campanha do parlamentar, em Colatina
O governador Renato Casagrande e o deputado federal Da Vitória no lançamento da campanha do parlamentar, em Colatina, em 2022 Crédito: Divulgação
Houve um tempo em que partidos fisiológicos, clássicos integrantes do Centrão, contentavam-se em aderir ao governo, a qualquer governo, em troca de cargos e verbas. Siglas exemplares desse espectro são o PP, o Republicanos e o PL.
Durante o governo Jair Bolsonaro, quando o Orçamento Secreto foi instituído e ganhou força no Congresso Nacional, a relação de forças mudou.
Para começo de conversa, o próprio PL passou a comandar o Executivo federal, em novembro de 2021, quando o então presidente da República ingressou na agremiação.
Deputados federais e senadores, por sua vez, acostumaram-se a receber repasses que chegavam a jato e sem transparência a suas bases eleitorais, por meio das emendas do Orçamento Secreto.
Agora, PL, PP, Republicanos e companhia não vão aceitar que as coisas voltem a ser como eram antes. Querem mais.
E ensaiam um fervor ideológico, "conservador", "de direita", que até então dispensavam. Por que ser satélite do poder quando se vê a chance de tomar o poder para si?
O PP, em especial, está fortalecido. Tem o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Ele dita o ritmo da votação de projetos caros ao governo Lula (PT) e é o principal articulador do Centrão. Ou seja, sua influência vai além do próprio partido.
Assim, o PP tem fome. E esse apetite chegou ao Espírito Santo.
Por dez anos, a sigla, no estado, foi comandada por Marcus Vicente, atual secretário estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) do governo Renato Casagrande (PSB).
Em abril, porém, a presidência estadual da legenda foi para as mãos do deputado federal Da Vitória, por decisão da direção nacional do PP. 
O parlamentar havia se filiado ao partido um ano antes. Mas é aliado de Casagrande desde 2010. Passou a maior parte da carreira no PDT (12 anos) e no Cidadania (quatro anos), siglas também casagrandistas.
Seria razoável supor que a ascensão de Da Vitória na hierarquia partidária não alteraria a relação do PP com o Palácio Anchieta.
Mas o que houve foi justamente o contrário.
O PP, uma das principais forças que compõem o governo, está dividido e não vai ser surpresa se, em breve, desembarcar (ou ser desembarcado) da administração estadual.
Isso seria um divisor de águas.
O único vereador da legenda na Capital, Anderson Goggi, foi convidado para ser secretário municipal.
Se isso se concretizasse, o PP selaria aliança com uma figura que não é simpática a Casagrande e vice-versa.
Na verdade, nas eleições de 2024, o PSB de Casagrande deve estar na oposição ao atual prefeito.
Goggi recusou o convite de Pazolini, alegou razões pessoais, como o curto período que teria para exercer o cargo de secretário, uma vez que precisaria de desincompatibilizar da função em abril do ano que vem, para disputar a reeleição.
Mas a relação entre PP e Casagrande continua azeda.
"Estamos 100% aliados com ele (o governador)", afirmou Da Vitória à coluna, no dia 19 de abril.
Mas já havia alguma coisa no ar, um descontentamento não verbalizado, mas perceptível.
"A não ser que o governo tenha outro tipo de posição, que é direito do governo", complementou o presidente estadual do PP, na ocasião.
O parlamentar não escondia, desde então, a relação próxima com o Republicanos de Pazolini. "Prefeitos do Republicanos me ajudaram na eleição", lembrou, ao falar com a coluna.
"Tenho o governador Casagrande como aliado, mas tenho Pazolini também como aliado"
Da Vitória - Deputado federal e presidente do PP no Espírito Santo, em 19 de abril
O governador, contudo, não está nada contente com esse "jogo duplo".
O socialista não admite isso em público, mas afirmou, nesta segunda-feira (29), por exemplo, que, desde que Da Vitória assumiu o comando do partido, o PP "não tem mais diálogo" com o governo estadual.
Como um partido que faz parte da gestão – além do comando da Sedurb, a sigla tem filiados empregados em cargos comissionados – pode não ter diálogo com a própria gestão?
"(O PP) ocupa a secretaria com um cargo do partido, mas não está tendo diálogo sobre avaliação de governo e debate sobre política estadual e nacional. Tem um afastamento, hoje, do partido com o governo", respondeu Casagrande.
"Depois que ele (Da Vitória) assumiu o partido, afastou o partido da relação com o governo"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo, nesta segunda-feira (29)
"Não tem nenhuma reunião marcada, mas estou permanentemente aberto para conversar", ponderou, ainda nesta segunda.
O governador disse não ver problema na aproximação do PP com o Republicanos e outras siglas de direita, da oposição. Mas é impossível que não se importe com isso.
Questionado pela coluna se a "falta de diálogo" e o "afastamento" do PP são impeditivos para a permanência do partido na gestão, Casagrande ressaltou que "quem é aliado é aliado":
"Quem é aliado é aliado e vai ter que conversar em algum momento. É uma avaliação que a gente faz no dia a dia".
O socialista contou que o último contato que teve com Da Vitória foi ao enviar uma mensagem ao deputado manifestando pêsames pela morte do pai do parlamentar. Mário Leôncio da Vitória faleceu na última quinta-feira (22), aos 96 anos de idade.
ALMOÇO NA ASSEMBLEIA
O governador esteve na Assembleia Legislativa nesta segunda-feira. Falou com a coluna no caminho entre a sala do presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), e o restaurante localizado no prédio.
Lá, almoçou com os parlamentares. Algo, se não inédito, raro na sede do Poder.
Normalmente, os parlamentares é que vão ao Palácio Anchieta para esse tipo de encontro.
Dos 30 integrantes do Legislativo, apenas Theodorico Ferraço (PP) não compareceu. Raquel Lessa, também filiada ao PP, foi lá.
Os dois não têm identidade com o partido, filiaram-se no ano passado por pragmatismo eleitoral.
Entre a equipe que acompanhava Casagrande, estava o ex-deputado estadual Sandro Locutor. Ele é subsecretário na Casa Civil e mais um filiado ao PP.
Marcelo Santos recebe o governador Renato Casagrande na presidência da Assembleia Legislativa
Marcelo Santos recebe o governador Renato Casagrande na presidência da Assembleia Legislativa Crédito: Ellen Campanharo/Ales
Na prática, nos bastidores, os deputados federais Da Vitória e Evair de Melo (PP) estão de um lado. Marcus Vicente e Marcos Delmaestro, de outro.
Vicente, além de titular da Sedurb, é vice-presidente estadual do partido. Ele não concedeu entrevista, mas a coluna apurou que defende a permanência do Progressistas na gestão estadual.
Delmaestro é presidente do PP em Vitória e secretário estadual da legenda. Também ocupa o cargo comissionado de assessor especial na Casa Civil de Casagrande.
"Está havendo uma convergência para o partido permanecer na base do Renato", afirmou, nesta segunda.
"A fala do Da Vitória dentro do partido é de dar continuidade ao governo Renato Casagrande", ressaltou Delmaestro.
Evair, por sua vez, faz oposição a Casagrande há anos, mesmo quando o PP e o governo eram unha e carne.
Em abril, ele foi eleito vice-presidente nacional do Progressistas e, à coluna, afirmou que a orientação de Brasília é afastar o partido de siglas de esquerda, como o PSB.
"Eu e Ciro Nogueira (presidente nacional do PP) vamos trabalhar para que o PP se desalinhe dos partidos de esquerda", avisou Evair de Melo.
"Para que, em 2026, tenhamos uma ampla frente de direita no Espírito Santo e apresentemos candidaturas ao governo e ao Senado", previu.
A coluna tentou falar com Da Vitória nesta segunda, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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