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Partiu para o ataque

A cruzada de Magno Malta contra "a direitinha"

Presidente estadual do PL criticou "quem se diz de direita, mas tem ministério no governo Lula" e avisou que o partido "não vai ser escada" para ninguém. Alfinetadas têm endereço certo

Publicado em 01 de Agosto de 2024 às 02:55

Públicado em 

01 ago 2024 às 02:55
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O senador Magno Malta, presidente estadual do PL
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL Crédito: Divulgação/PL
Presidente estadual do PL, Magno Malta tem planos para o partido, principalmente, para 2026, como revelou à coluna no último dia 19. O senador, contudo, pontuou que "a eleição de 2026 passa por 2024".
Pouco depois de conceder a entrevista, ele discursou, em Vila Velha, para uma plateia composta por pré-candidatos do Partido Liberal no Espírito Santo. O evento contou com a presença do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto
Já no último sábado (27), a coluna presenciou mais uma explanação do senador, desta vez durante a convenção do PL de Vitória, que confirmou a candidatura do deputado estadual Capitão Assumção a prefeito.
Nas duas ocasiões, ficou bem claro: Magno Malta está em uma cruzada verbal e estratégica contra o que chama de "direitinha". 
Trata-se de partidos e políticos de direita que não se alinham ao discurso mais radical dos bolsonaristas ou, ainda que o façam,  admitem alianças programáticas — ou pragmáticas — com legendas de centro ou centro-esquerda.
"Quando o cara diz que é de direita, deveria sair do partido que tem três ministérios no governo Lula", bradou Magno.
O União Brasil tem três ministros no governo federal. O Progressistas tem um e o Republicanos também um.
As alfinetadas de Magno à "direitinha", entretanto, têm mais este último como alvo, ainda que o Republicanos não tenha sido mencionado por ele.
É que, no Espírito Santo, fora da órbita do governador Renato Casagrande (PSB), as duas maiores forças políticas são, justamente, PL e Republicanos.
As duas legendas, porém, têm projetos políticos independentes e, por vezes, conflitantes. Em Vitória, por exemplo, o PL lançou Assumção contra o atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que vai tentar a reeleição.
"Eles (não citou nomes) dizem que a direita tem que se unir, mas se unir a quem? Se a direita não se unir a eles não é direita, é 'extrema direita'. Por que eles, que são direita, não se unem a nós?", provocou o presidente estadual do PL,no último dia 19.
"Você acha que esses partidos, essa direitinha que nos chama de extrema direita, vai votar em Gilvan?"
Magno Malta (PL) - Senador
O deputado federal Gilvan da Federal já foi escolhido pelo PL-ES para disputar o Senado em 2026. 
"Eles vão votar no nosso candidato a senador? Não. O projeto deles inclui um candidato a senador, o que eu respeito. Então que sigam o caminho deles", afirmou Magno.
Já no dia 27, na mesma toada, reforçou: "O PL não vai ser escada para ninguém".
"Se ser extrema direita é ser como nós pensamos, tudo bem."
É difícil não relacionar o discurso de grande parte dos filiados ao PL ao extremismo quando há defesa do que ocorreu em 8 de janeiro de 2023, a invasão das sedes dos Três Poderes.
Quando há acusações falsas contra o sistema eleitoral (curiosamente, o sistema não foi considerado fraudulento ao eleger a enorme bancada do PL na Câmara dos Deputados) ou quando há o incentivo a medidas contrárias à saúde pública, que levaram à morte de milhares de pessoas na pandemia de Covid-19.
Políticos de outros partidos, porém, também fazem isso. O diferencial do PL é que ele abriga o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. 
Mesmo inelegível, ele é uma figura com capital político de peso, que faz com que o Partido Liberal exija protagonismo no campo da direita.
O Republicanos, por sua vez, tem como slogan ser "o verdadeiro partido conservador do Brasil" e várias contradições. 
Não vou nem mencionar o quão "conservadores", realmente, são os integrantes da legenda, mas integrar o governo Lula (PT), que é uma coalização de centro e centro esquerda, é, sim, uma incongruência.
O PL e o próprio Magno Malta, no passado, entretanto, já foram aliados de primeira hora do Partido dos Trabalhadores.
Na quarta-feira (30), teve puxão de orelha em relação aos candidatos a vereador do PL em Vila Velha.
Durante uma live do Coronel Ramalho (PL), pré-candidato a prefeito da cidade, Magno Malta mandou um recado:
"Os candidatos do PL devem estar engajados na campanha com Ramalho, ou o partido tratará essa questão com muita seriedade".
Ramalho, até agora, conta apenas com o PRTB na disputa. O prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), candidato à reeleição, tem o apoio de 12 siglas, entre elas, vejam só, o Republicanos, e busca atrair o Progressistas.
O ex-prefeito Neucimar Fraga (PP) desistiu de se candidatar à chefia do Executivo municipal e, apesar de ter simpatia por Ramalho, afirmou à coluna que "entre os próprios membros do PL, nem todos estão empolgados (com a candidatura do coronel)".
Aparentemente, Magno já percebeu isso. Eis o motivo do recado.
LUCAS POLESE 2026
No dia 27, Magno Malta afirmou à coluna que, se o jovem deputado estadual Lucas Polese quiser, "está pronto"  para ser o candidato do PL ao governo do Espírito Santo em 2026.
O martelo não foi batido. O senador apenas avaliou que o parlamentar tem os predicados para concorrer ao Palácio Anchieta, após Assumção mencionar a possibilidade.
Mas Polese estaria pronto do ponto de vista da idade? Foi o questionamento feito por um leitor.
Para disputar o cargo de governador, um candidato precisa ter ao menos 30 anos. Polese nasceu em 24 de outubro de 1996. 
Como lembrou o advogado eleitoralista Marcelo Nunes, o candidato tem que ter 30 anos no dia da posse, não na data do registro de candidatura ou no dia do pleito.
Polese, em janeiro de 2027, quando ocorrem as posses dos governadores eleitos em 2026, já vai ter completado 30 anos.
Então ele atenderia aos critérios de elegibilidade, legalmente falando.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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