Presidente estadual do PL criticou "quem se diz de direita, mas tem ministério no governo Lula" e avisou que o partido "não vai ser escada" para ninguém. Alfinetadas têm endereço certo
Publicado em 01 de Agosto de 2024 às 02:55
Públicado em
01 ago 2024 às 02:55
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O senador Magno Malta, presidente estadual do PLCrédito: Divulgação/PL
Nas duas ocasiões, ficou bem claro: Magno Malta está em uma cruzada verbal e estratégica contra o que chama de "direitinha".
Trata-se de partidos e políticos de direita que não se alinham ao discurso mais radical dos bolsonaristas ou, ainda que o façam, admitem alianças programáticas — ou pragmáticas — com legendas de centro ou centro-esquerda.
"Quando o cara diz que é de direita, deveria sair do partido que tem três ministérios no governo Lula", bradou Magno.
O União Brasil tem três ministros no governo federal. O Progressistas tem um e o Republicanos também um.
As alfinetadas de Magno à "direitinha", entretanto, têm mais este último como alvo, ainda que o Republicanos não tenha sido mencionado por ele.
É que, no Espírito Santo, fora da órbita do governador Renato Casagrande (PSB), as duas maiores forças políticas são, justamente, PL e Republicanos.
"Eles (não citou nomes) dizem que a direita tem que se unir, mas se unir a quem? Se a direita não se unir a eles não é direita, é 'extrema direita'. Por que eles, que são direita, não se unem a nós?", provocou o presidente estadual do PL,no último dia 19.
"Você acha que esses partidos, essa direitinha que nos chama de extrema direita, vai votar em Gilvan?"
Magno Malta (PL) - Senador
O deputado federal Gilvan da Federal já foi escolhido pelo PL-ES para disputar o Senado em 2026.
"Eles vão votar no nosso candidato a senador? Não. O projeto deles inclui um candidato a senador, o que eu respeito. Então que sigam o caminho deles", afirmou Magno.
Já no dia 27, na mesma toada, reforçou: "O PL não vai ser escada para ninguém".
"Se ser extrema direita é ser como nós pensamos, tudo bem."
É difícil não relacionar o discurso de grande parte dos filiados ao PL ao extremismo quando há defesa do que ocorreu em 8 de janeiro de 2023, a invasão das sedes dos Três Poderes.
Quando há acusações falsas contra o sistema eleitoral (curiosamente, o sistema não foi considerado fraudulento ao eleger a enorme bancada do PL na Câmara dos Deputados) ou quando há o incentivo a medidas contrárias à saúde pública, que levaram à morte de milhares de pessoas na pandemia de Covid-19.
Políticos de outros partidos, porém, também fazem isso. O diferencial do PL é que ele abriga o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
Mesmo inelegível, ele é uma figura com capital político de peso, que faz com que o Partido Liberal exija protagonismo no campo da direita.
O Republicanos, por sua vez, tem como slogan ser "o verdadeiro partido conservador do Brasil" e várias contradições.
Não vou nem mencionar o quão "conservadores", realmente, são os integrantes da legenda, mas integrar o governo Lula (PT), que é uma coalização de centro e centro esquerda, é, sim, uma incongruência.
O PL e o próprio Magno Malta, no passado, entretanto, já foram aliados de primeira hora do Partido dos Trabalhadores.
Na quarta-feira (30), teve puxão de orelha em relação aos candidatos a vereador do PL em Vila Velha.
Durante uma live do Coronel Ramalho (PL), pré-candidato a prefeito da cidade, Magno Malta mandou um recado:
"Os candidatos do PL devem estar engajados na campanha com Ramalho, ou o partido tratará essa questão com muita seriedade".
Ramalho, até agora, conta apenas com o PRTB na disputa. O prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), candidato à reeleição, tem o apoio de 12 siglas, entre elas, vejam só, o Republicanos, e busca atrair o Progressistas.
O martelo não foi batido. O senador apenas avaliou que o parlamentar tem os predicados para concorrer ao Palácio Anchieta, após Assumção mencionar a possibilidade.
Mas Polese estaria pronto do ponto de vista da idade? Foi o questionamento feito por um leitor.
Para disputar o cargo de governador, um candidato precisa ter ao menos 30 anos. Polese nasceu em 24 de outubro de 1996.
Como lembrou o advogado eleitoralista Marcelo Nunes, o candidato tem que ter 30 anos no dia da posse, não na data do registro de candidatura ou no dia do pleito.
Polese, em janeiro de 2027, quando ocorrem as posses dos governadores eleitos em 2026, já vai ter completado 30 anos.
Então ele atenderia aos critérios de elegibilidade, legalmente falando.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.