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Análise

A discreta atuação dos políticos do ES no cenário nacional

O ES nunca teve um presidente da República e ocupa, vez por outra, posições de destaque no Congresso, mas nada que se assemelhe a outro estado que tem população menor

Publicado em 04 de Fevereiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

04 fev 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Reforma administrativa passou pela CCJ e segue em tramitação
Reforma administrativa passou pela CCJ e segue em tramitação Crédito: CNJ/Rodolfo Stuckert
Os dois primeiros presidentes do Brasil, ainda na República Velha, eram de Alagoas: Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano. Estamos longe do final do século 19, ao menos no que se refere ao calendário.
De lá para cá, Alagoas manteve-se relevante politicamente. Elegeu outro presidente, Fernando Collor de Mello, em 1989. Tem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e um ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB).
Alagoas tem população um pouco menor que a do Espírito Santo. E a bancada daquele estado na Câmara dos Deputados é formada por nove parlamentares, um a menos do que a nossa.
Esse é apenas um exemplo. A questão aqui é: por que o Espírito Santo tem pouca projeção política, nacionalmente falando?
Já tivemos um presidente do Senado. Moacyr Dalla comandou a Casa de 1983 a 1985. Presidiu, inclusive, o colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves à Presidência da República. Tancredo era do MDB e Dalla, da Arena, partido que dava sustentação ao regime militar.
Mais tarde, o ex-governador Elcio Alvares foi ministro da Indústria e Comércio, em 1994, no governo Itamar Franco e também Ministro da Defesa, de 1998 a 2000, já na gestão de Fernando Henrique Cardoso.
Há casos isolados de capixabas que alcançaram algum destaque. Mas a Presidência da República parece algo distante. 
Não se está aqui fazendo campanha para um dos nossos chegue lá. Bairrismo certamente não é o melhor argumento para eleger alguém capaz de interferir no destino de mais de 200 milhões de pessoas. É apenas uma curiosidade.
O leitor, ou leitora, nem vai encontrar aqui uma resposta. É um exercício, apenas.
Na última quarta-feira (2), em entrevista exibida pela GloboNews, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que, se o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, desistir de disputar o Palácio do Planalto este ano, já há um plano B e até C.
Ele pretende convidar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, atualmente filiado ao PSDB, ou o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (sem partido) para encarar a empreitada.
Não é a primeira vez que o nome de um capixaba surge no cenário como pretenso pré-candidato à Presidência da República.
O PSB chegou a propor o mesmo ao governador Renato Casagrande para concorrer. A possibilidade era remota e o socialista declinou.
A coluna questionou Hartung se ele aceitaria um eventual convite de Kassab para disputar a Presidência da República. O ex-governador permanece em silêncio.
Ele também é cotado para disputar o Senado pelo PSD, mas nunca disse, publicamente, se pretende concorrer ou não. Hartung tem estado próximo de lideranças políticas nacionais, mas mais como um conselheiro. Foi um "senhor Miyagi" para Luciano Huck. Este, no entanto, preferiu continuar como apresentador de TV.
E voltamos à nossa dúvida primordial: por que não temos um presidente da República, ou ex-presidente, capixaba? Ou mesmo um presidente da Câmara dos Deputados?
O deputado federal Evair de Melo (PP), que é um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Casa, tem uma tese. Ele avalia que o problema é que quem parte do Espírito Santo para ocupar cargos em Brasília, como os de deputado federal ou senador, tem sempre o objetivo de voltar ao estado para assumir o governo.
Casagrande e Hartung já passaram pelo Congresso Nacional e voltaram.
O senador Fabiano Contarato (PT) tem ganhado notoriedade nacional pelo trabalho no parlamento. Pretende disputar o Palácio Anchieta este ano.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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