Na semana passada, foi inaugurada a Casa 13, na Avenida Vitória. No espaço, há material de campanha do ex-presidente
Lula disponível, assim como impressos e adesivos dos candidatos apoiados pelo PT no Espírito Santo, como a senadora Rose de Freitas (MDB) e o governador
Renato Casagrande (PSB).
Quem procurar por
Lula no horário eleitoral de um ou de outro, entretanto, não vai encontrar muita coisa.
O socialista tem uma ampla aliança partidária, contempla até o PP, aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), arquirrival do ex-presidente.
O MDB de Rose, por sua vez, lançou a senadora Simone Tebet ao Palácio do Planalto.
Na TV, fora do horário destinado à campanha do próprio
Lula, o ex-presidente é mencionado por candidatos do partido a deputado estadual e federal.
Jack Rocha é uma delas. Candidata a deputada federal, ela sempre diz "Lula me chamou".
Helder Salomão, que tenta a reeleição para a Câmara dos Deputados, também se mostra "do Time do
Lula".
Nas ruas, ao menos na Grande Vitória, a campanha do ex-presidente não é muito ostensiva.
Vendedores ambulantes vendem toalhas com o rosto dele estampado e, vez ou outra, é possível ver uma delas na fachada de algum prédio.
O coordenador político da campanha do petista no estado, Genivaldo Lievore, afirmou à coluna que o convite para a vista do candidato do PT ao estado foi feito.
"Tem a solicitação feita por nós à coordenação nacional. Os coordenadores da agenda dele estão vendo ainda a possibilidade", contou.
Lievore minimiza a falta de empenho de Casagrande por
Lula:
"Isso faz parte da aliança ampla do governador. Ele já afirmou que vota no
Lula e que o PSB faz campanha para o
Lula. Em virtude de ele ter partidos como o PDT, que apoia Ciro Gomes, e o PP que apoia o outro candidato lá ... Então neste primeiro turno vai ser esse o comportamento do governador".
"Além de ter a Casa 13, da frente de esquerda, temos espaços regionais, como em Cachoeiro e São Mateus, e os comitês dos (candidatos) proporcionais. O comitê do Helder, por exemplo, também distribui material do
Lula", complementou o coordenador.
Bolsonaro veio ao estado, em julho. Era pré-campanha ainda, mas nem parecia. O presidente participou da Marcha para Jesus, um evento religioso que ganhou contornos eleitorais, e de uma motociata.
Lula e Bolsonaro, apesar de liderarem as pesquisas de intenção de voto no país, também têm alto índice de rejeição. De acordo com o Datafolha, 51% dos eleitores disseram que não votam no atual presidente da República de jeito nenhum, enquanto 39% afirmaram o mesmo sobre o petista.
A maior parte dos adversários de Casagrande, entretanto, apela para o bolsonarismo dos eleitores capixabas. O ex-deputado federal Carlos Manato (PL), verdade seja dita, é o que mais se aproxima de Bolsonaro, e há mais tempo.
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD)
também atrela a campanha ao presidente da República. Partidariamente, ele tem apenas o apoio de poucos nanicos. E o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), seu aliado histórico, não pede votos para ele. Isolado, Guerino aposta na popularidade de Bolsonaro, ainda que a manobra seja arriscada.