O presidente
Jair Bolsonaro (sem partido) avisou que a chance de se filiar ao PL de Valdemar Costa Neto era de 99%, mas, como diz a canção, "aquele 1%...". A ida para o partido do Centrão, agendada para o próximo dia 22, acabou adiada.
O ex-senador não tem cargo, logo, nenhuma missão oficial a realizar, mas tem publicado vídeos no Facebook registrando as atividades de Bolsonaro por lá, como o "encontro com Sua Alteza Xeque Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe Herdeiro de Abu Dhabi".
Essa reaproximação independe de Bolsonaro se filiar ou não ao PL, uma vez que o ex-senador marca presença em agendas presidenciais – frise-se, sem ter nenhuma função a desempenhar – há meses, antes de as tratativas com o PL engrenarem.
Bolsonaro quer um partido que possa controlar, mas o Partido Liberal tem seus próprios caciques. Valdemar Costa Neto, condenado e preso no mensalão, não abriria mão de dar as cartas na legenda, em que também há questões regionais a serem equalizadas.
No Espírito Santo, por exemplo, o ex-deputado federal
Carlos Manato (sem partido), outro bolsonarista, disse ter "total interesse" em ir para o PL. E a esposa dele, a deputada federal Soraya Manato (PSL), vai tentar a reeleição, podendo também migrar de legenda.
Manato, no entanto, é pré-candidato ao governo do estado. Uma chapa com um candidato ao Senado (Magno) e outro ao Palácio Anchieta filiados ao mesmo partido fica "pesada", sem ter um espaço mais nobre a ser oferecido a uma sigla aliada. Restaria a vaga de vice.
Isso sem contar o encaixe de Soraya na chapa proporcional, para a eleição de deputados federais, que envolve outra engenharia. Em 2022, não vai haver coligação partidária para as eleições de parlamentares.
"A Soraya ele (Magno Malta) foi categórico: não quer. Ele disse que já tem 11 candidatos, sete homens e quatro mulheres (para a disputa de deputado federal)", afirmou Carlos Manato à coluna. "Já quanto ao meu nome o Magno falou: 'já tem eu na majoritária, se você vier pra cá vai ter dois'. Eu falei que isso é contornável, que eu levaria o PTB comigo e teríamos dois partidos", complementou.
Oficialmente, a filiação de Bolsonaro ao PL foi brecada após "intensa troca de mensagens na madrugada" entre Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, registrou uma nota divulgada pelo PL.
Bolsonaro quer o filho Eduardo, deputado federal, hoje filiado ao PSL, no comando do PL em São Paulo, o que provocou palavras pouco amistosas na tal troca de mensagens.
"O que pesou mais foi São Paulo. É um estado que tem 30 milhões de eleitores, qualquer candidato a presidente precisa ter um candidato a governador lá e o PL em São Paulo quer ir com o PSDB", contou Manato à coluna.
Há quem diga que outro fator que contribuiu para o adiamento da filiação foi a repercussão negativa. Afinal, o PL é um partido fisiológico, afeito a negociatas pouco republicanas, e um dos esteios do Centrão.
Embora, realmente, tudo isso tenha sido sublinhado, difícil crer que seria um entrave. As outras opções de partido para Bolsonaro são o PP e o Republicanos, ambos do Centrão que, aliás, integra o próprio governo. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, é do PP. E o presidente ficaria à vontade. Foi, por anos, filiado ao PP, quando deputado federal.
"Eu espero em pouquíssimas semanas, duas, três, no máximo, casar ou desfazer o noivado (com o PL). Mas eu acho que tem tudo para a gente casar e ser feliz", afirmou o presidente, na segunda-feira (15), na saída da Expo 2020, em Dubai.