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Assembleia Legislativa

A instabilidade da base de Casagrande e a falta de "carinho"

Deputados da base e independentes votaram a favor de projeto de oposicionista que queria barrar câmeras corporais em policiais. Em relação a outros temas, votação foi unânime ao lado do governo

Publicado em 15 de Março de 2023 às 06:50

Públicado em 

15 mar 2023 às 06:50
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Ana Salles/Ales
O deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) anunciou, em 16 de fevereiro, que deixou a base aliada ao governo Renato Casagrande (PSB) na Assembleia. Vandinho Leite (PSDB) afirma-se na base, mas dá sinais divergentes em plenário.
E agora Adilson Espíndula (PDT) também balança. O governador já disse à coluna esperar contar com o apoio de 24 ou 25 parlamentares na Assembleia Legislativa. A Casa tem 30 membros.
O socialista tem que reduzir a expectativa porém, em algumas votações.
Na segunda-feira (13), Vandinho e Espíndula, por exemplo, votaram a favor do prosseguimento da tramitação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) de autoria do oposicionista Callegari (PL).
O deputado do PL queria sustar os efeitos da portaria da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) que estabelece o uso de câmeras nos uniformes dos policiais penais.
Gandini e Theodorico Ferraço (PP), estes independentes em relação ao Palácio Anchieta, ficaram ao lado do parlamentar oposicionista nessa questão.
Sem surpresas, Capitão Assumção, Danilo Bahiense e Lucas Polese (os três do PL) e Coronel Weliton (PTB) também se puseram contrários à utilização dos equipamentos.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contudo, emitiu parecer pela rejeição do PDL, apontando que a proposta era inconstitucional, uma vez que a portaria da Sejus não ofende a legislação nem exorbita o poder regulamentador.
A maioria dos deputados seguiu esse entendimento e o projeto de Callegari foi arquivado.
Assim, o governo Casagrande não sofreu uma derrota. 
Já nesta terça-feira (14), os projetos do Executivo, como o do Refis, foram aprovados ou à unanimidade.
O vice-líder do governo, Tyago Hoffmann (PSB), até elogiou, meio brincando, meio a sério: "Nossa oposição, hoje, (está) votando tudo com o governo. Obrigado, Capitão Assumção, que é o líder da oposição".
Mas há algo no ar.
Quando questionado pela coluna, no final do mês passado, a respeito da saída de Gandini e de outros petardos disparados pela base, Casagrande afirmou que o descontentamento de alguns deputados com o Palácio Anchieta era pontual, motivado, principalmente, pela divisão de espaços nas comissões temáticas da Assembleia.
Essa divisão ocorreu no início de fevereiro. E deixou sequelas.
Adilson Espíndula, por exemplo, queria o comando da Comissão de Agricultura. Conseguiu apenas ser vice.
A coluna não conseguiu contato com ele para saber se é a esse dissabor que ele credita seu descontentamento com o governo, mas certamente tem a ver.
Espíndula chegou até a discursar a favor do PDL de Callegari e demonstrou desconforto com a forma com o tratamento que recebe do governo.
O Palácio influenciou a composição das comissões da Assembleia. O deputado do PDT segue, formalmente, na base aliada a Casagrande.
Chamou a atenção o fato de Gandini também ter votado contra as câmeras nos uniformes dos policiais penais. 
O parlamentar recentemente se identificou como de direita, apesar de presidir, no estado, o Cidadania, um partido de centro-esquerda.
O posicionamento em plenário, na segunda-feira, portanto, está de acordo com o novo espectro ideológico adotado.
Vandinho também ficou ao lado de Callegari, apesar de se dizer casagrandista. Isso não chega a surpreender. O deputado do PSDB há tempos encarna uma espécie de bolsonarismo pré-Bolsonaro.
E, ultimamente, tem tentado chamar a atenção com pautas "de costumes".
Tanto Gandini quanto Vandinho são possíveis candidatos em 2024. O primeiro, à Prefeitura de Vitória. O segundo, à Prefeitura da Serra.
"CARINHO"
Há questões eleitorais e reposicionamentos estratégicos em jogo. 
Mas um palaciano avalia que, ao menos em relação a Gandini, Vandinho e Adilson Espíndula, falta apenas um "carinho" do governador para que eles se reaproximem da gestão estadual.
Por "carinho", entenda-se uma conversa, presencial e individual, com Casagrande e o atendimento de demandas pontuais de cada um.
Isso deve ocorrer em breve.
CENA POLÍTICA
A votação do Programa de Parcelamento de Débitos Fiscais (Refis) e de outros projetos enviados pelo Executivo à Assembleia ocorreu em sessão extraordinária convocada pelo presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), na tarde desta terça.
No intervalo entre a sessão ordinária e a extra, o deputado Tyago Hoffmann (PSB) concedeu entrevista à TV Assembleia, exibida ao vivo. Ao fundo, uma cena chamou a atenção:
Tyago Hoffmann concede entrevista à TV Assembleia. Ao fundo, Pablo Muribeca coloca chapéu na cabeça de Sérgio Meneguelli
Tyago Hoffmann concede entrevista à TV Assembleia. Ao fundo, Pablo Muribeca coloca chapéu na cabeça de Sérgio Meneguelli Crédito: Reprodução/TV Assembleia
Era uma interação entre dois dos mais folclóricos deputados estaduais. Pablo Muribeca (Patriota) colocava seu indefectível chapéu na cabeça de Sérgio Meneguelli (Republicanos), que trajava, para variar, jaqueta jeans.
Foi uma rara oportunidade para ver como é Muribeca sem o adereço. Os dois posaram para uma foto:
Os deputados estaduais Sérgio Meneguelli e Pablo Muribeca no plenário da Assembleia Legislativa
Os deputados estaduais Sérgio Meneguelli e Pablo Muribeca no plenário da Assembleia Legislativa Crédito: Divulgação

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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