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Entrevista

"A nossa hora chegou", diz Arnaldinho, decidido a disputar o governo do ES

Prefeito de Vila Velha é aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande (PSB), mas tenta se filiar ao partido do ex-governador Paulo Hartung. Confira entrevista exclusiva à coluna

Publicado em 20 de Maio de 2025 às 15:40

Públicado em 

20 mai 2025 às 15:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, nesta terça-feira (20), durante visita à obra de uma escola em Ponta da Fruta Crédito: Letícia Gonçalves
Não é segredo que o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), quer ser candidato ao governo do Espírito Santo em 2026, mas, até agora, ele não havia admitido isso publicamente.
Em entrevista exclusiva à coluna, nesta terça-feira (20), porém, Arnaldinho não apenas deixou bem claro que vai fazer o necessário para disputar o pleito do ano que vem como já tem um primeiro objetivo: comandar o PSD estadual, partido que, em breve, vai abrigar o ex-governador Paulo Hartung (sem partido).
Mas o prefeito não pretende largar a mão do principal aliado, o governador Renato Casagrande (PSB).
Como isso seria possível, uma vez que o ex e o atual governador são adversários figadais? Casagrande deve ser candidato ao Senado em 2026. Hartung, não se sabe, mas há especulação sobre ele disputar o mesmo cargo que o socialista.
Pois o político canela-verde, na entrevista, pregou a união "todas as lideranças políticas do estado do Espírito Santo" e até fez a seguinte reflexão: "Por que não posso ajudar o governador Renato? Por que eu não posso ajudar o governador Hartung?".
Na semana passada, Arnaldinho reuniu-se com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, em São Paulo, em busca do aval de uma das mais sagazes raposas políticas do país.
"Falei com ele da minha intenção de comandar o partido, a intenção de montar chapa de (candidatos a deputado) federal, chapa de (candidatos a deputado) estadual e a intenção de a gente poder, no futuro, se for o caso, ser candidato ao governo do estado", revelou o prefeito de Vila Velha.
A coluna questionou se Arnaldinho está mesmo decidido a concorrer ao Palácio Anchieta e a resposta foi "sim", sem titubear.
Em outro momento, ele cravou: "A nossa hora chegou".
E fez outras revelações, falou, por exemplo, sobre a relação com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e sobre seu antigo partido, o Podemos.
Arnaldinho também respondeu sobre uma contradição evidente, o fato de, durante a campanha de 2024, ter prometido que não participaria das eleições de 2026.
Confira a entrevista:
Como foi a conversa com Kassab? 
 A conversa foi muito boa, falamos um pouco da política no Brasil e da conjuntura atual da política do Espírito Santo. 
Falei com ele da minha intenção de comandar o partido, a intenção de montar chapa de (candidatos a deputado) federal, chapa de (candidatos a deputado) estadual e a intenção de a gente poder, no futuro, se for o caso, ser candidato ao governo do estado.
E qual foi a resposta dele? 
Ele falou que acredita que (Arnaldinho) é o melhor quadro para o Espírito Santo, o nosso nome junto com os nossos aliados, e que era para eu voltar em duas semanas.
Eu falei que não dava por causa do aniversário da cidade (Vila Velha completa 490 anos no próximo dia 23), mas a gente vai alinhar o ajuste fino da nossa ida ou não para lá (para o PSD).
Acredito que até o mês que vem a gente resolva isso.
A ideia é o senhor presidir o PSD no Espírito Santo. O presidente atual é o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. O senhor já conversou com ele?
A ideia é eu presidir. Não tenho outra forma ...não vou para o partido se não for para presidir.
Eu não fiz uma conversa com o Renzo (sobre isso, especificamente), mas da última vez que estive com ele a conversa foi muito boa. O Victor (Linhalis), que é nosso deputado federal, esteve. 
Renzo falou que está aprovado. Nossa intenção é que ele permaneça no partido e faça parte da diretoria. Renzo é um ótimo nome, um bom quadro do estado do Espírito Santo e vai ser peça importante no processo de 2026.
O senhor está decidido a disputar o governo do Espírito Santo? 
Sim, a gente pode dizer que sim. É um momento ímpar, a gente está colocando o nome à disposição, vamos ver o que que o estado, a cidade acha disso.
A gente só tem um direcionamento, que é ajudar o governador Renato Casagrande ser senador e a gente caminhar no futuro.
Hoje, o candidato preferencial do grupo de Casagrande ao Palácio Anchieta é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), embora o nome do senhor também seja citado pelo governador como alternativa. Como está a relação com Ricardo, diante das movimentações que o senhor tem feito?
A conversa é muito boa com o Ricardo. Ricardo é um grande aliado, meu aliado, ele é aliado nosso. 
A gente acredita que no final todo mundo vai estar junto. Pelo menos é o que eu acredito, que no final, quando a gente for começar o processo eleitoral, todo mundo vai estar junto. Agora, o governador precisa ter alternativas.
Ricardo é um ótimo nome, é uma pessoa boa, da mesma forma que nós também somos. Eu e Ricardo podemos somar um projeto, não dividir.
O ex-governador Paulo Hartung vai se filiar ao PSD na próxima segunda-feira (26). Qual foi a participação dele na sua conversa com o Kassab?
Não teve participação do (ex) governador nessa conversa. Quem fez a interlocução foi um amigo meu que mora em São Paulo e tem relação próxima com o Kassab.
A gente sabe que o (ex) governador vai se filiar e não vê problema nenhum nisso. 
Ele tem possibilidade e capacidade de ser candidato ao cargo que quiser, tem história no estado do Espírito Santo. Isso vai depender de conversas futuras, a gente não sabe o que que ele deseja.
Ainda não tive uma conversa com ele, mas teremos, com toda certeza, assim que eu me encaminhar para o PSD.
E o senhor conversou com o governador Casagrande sobre essa possibilidade de se filiar ao partido de Hartung?
Eu avisei o governador sobre a possibilidade e o governador, até então, não falou nada.
Mas essa filiação não poderia causar um estremecimento no grupo político de Casagrande, do qual o senhor faz parte?
Não vejo problema, não.
"Posso ser um grande aliado e ajudar a fazer uma conversão de todas as lideranças políticas do estado do Espírito Santo, com um projeto único"
        -                  
Um projeto de um estado que já vem muito bem, que o governador vem tocando muito bem, e que pode ficar muito melhor.
Quando o senhor fala em unir "todas as lideranças políticas" está se referindo a juntar até Casagrande e Hartung?
Não posso falar isso, né? Não posso falar por eles. 
Mas eu posso ser, talvez, um mecanismo, uma forma de conversar e dialogar com todos os lados.
A gente está provando que essa coisa de radicalismo, de direita e esquerda, não constrói nada, só destrói.
Não constrói uma creche, uma escola, uma unidade básica de saúde. Eu sou o povo, eu quero ser o meio-termo no estado do Espírito Santo. Eu quero ser o nome que vai fazer a conversão de todos os poderes.
Tenho políticas tanto da direita quanto da esquerda e toco todas elas de forma muito tranquila.
Eu conversei com alguns aliados do senhor e eles avaliam, citam até pesquisas qualitativas, que o eleitor do Espírito Santo espera uma mudança geracional na política. 
Seus apoiadores mais próximos creem que o senhor representa, ou tem potencial para representar, essa mudança geracional, ao contrário, por exemplo, de Ricardo Ferraço, que é um político mais tradicional, até pelo pelo tempo de vida política que ele tem. É essa também a avaliação do senhor?
Essa avaliação das pesquisas. Pesquisas qualitativas têm mostrado isso no estado inteiro, que a sociedade deseja uma renovação. 
Acredito, sim, que é um momento geracional na política capixaba e a gente acredita que a gente pode ser esse nome da mudança.
Vila Velha é a cidade que teve a maior votação em números do estado do Espírito Santo (nas eleições de 2024).
Foram quase 80% de votos, o recorde da história da cidade, e isso coloca a gente, de fato, como um bom candidato ou um pré-candidato a 2026 (O prefeito de Vila Velha foi reeleito com 79,04% dos votos no ano passado).
O senhor parece bem animado para disputar as eleições de 2026, mas volto a falar do vice-governador Ricardo Ferraço. O senhor cogita ser candidato ao governo ainda que ele também seja?
Olha, o que eu posso dizer é que acho que está na nossa hora (aqui, Arnaldinho refere-se a si mesmo na terceira pessoa do plural), está na nossa vez. A nossa hora chegou.
A gente comanda uma cidade com grandes desafios, uma cidade que tem problemas históricos e que estão sendo enfrentados, alguns deles já resolvidos.
A gente acredita que a capacidade de administrar uma cidade com tantos desafios nos dá capacidade também de administrar um estado como o nosso.
Estou super animado, seja meu nome, seja nome de qualquer outro, estou super animado. 
O que eu posso te falar é que nós vamos participar efetivamente em 2026 do processo eleitoral, sendo protagonista ou ajudando alguém a ser protagonista. 
Ah, então o senhor também não descarta apoiar Ricardo?
Se for essa a decisão do grupo, não descarto. Quem vai vai dizer se eu vou apoiar ou não vão ser as pesquisas. 
"Se a pesquisa falar que ele (Ricardo) é mais viável que eu, a gente vai ajudá-lo. Se a pesquisa mostrar que eu sou o mais viável, espero que ele nos ajude"
     -     
E o governador, que é aliado do senhor e do Ricardo, tem emitido algum sinal sobre as suas movimentações políticas?
O governador não reclamou nada comigo. Quando o governador fala que tem o nome de Ricardo e tem o nome de Arnaldo Borgo, ele tá me dando autorização para fazer meus movimentos e ser viável para o projeto em 2026. 
O que eu não abro mão é de ajudar ele a ser senador. 
E se Paulo Hartung também for candidato ao Senado, pelo PSD, partido que o senhor pretende presidir?
Não sei, vai depender das conversas. Se ele estiver no meu partido, talvez eu possa ajudá-lo. Por que não?
"Por que não posso ajudar o governador Renato?  Por que não posso ajudar o governador Hartung?"
     -     
Assim como posso ajudar qualquer outro nome que a gente acreditar que seja importante para o estado do Espírito Santo. 
O senhor diz isso porque vão ser duas vagas em disputa para o Senado no ano que vem?
São duas vagas.
Em relação a uma vaga, já está garantido o meu apoio ao governador Renato Casagrande.
Vai depender do diálogo, do cenário, vai depender de pesquisa ... 
Mas se Hartung tiver no nosso projeto, se a pesquisa mostrar que ele é viável e se a gente puder fazer uma composição, uma conversão, não vejo problema nenhum. 
Da mesma forma com outros candidatos também. Por exemplo, o (deputado estadual) Serginho Meneguelli pode ser um dos candidatos (ao Senado).
O (deputado federal) Da Vitória pode ser um candidato (ao Senado) ... Por que não?
A aproximação com o PSD parece ser sua principal aposta, mas com quais outros partidos o senhor tem conversado? Não digo, necessariamente, para se filiar, mas para buscar apoio para 2026, construir um palanque?
Tenho conversado muito com o partido Novo e com o PRD. São esses os partid... Com o Republicanos (partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini) também fiz um bom diálogo.
É momento de conversar, de dialogar, não é momento de bater martelo.
Até o final de março o senhor estava filiado ao Podemos, partido que, pouco depois, declarou apoio a Ricardo Ferraço. O senhor viu isso como uma resposta a sua desfiliação? E o senhor tem ainda alguma relação com o Podemos?
Nenhuma relação.
E eu vejo isso (o apoio do Podemos a Ricardo) como sobrevivência de alguns atores políticos que estão no Podemos. (Arnaldinho não citou nomes, mas a indireta aqui, certamente, foi para o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, com o qual o prefeito de Vila Velha não se dá bem há um bom tempo).
Esses atores não são aliados apenas do Ricardo, mas também do governador Casagrande. Não há um conflito aí?
De minha parte, não.
Para finalizar, não posso deixar de perguntar sobre uma declaração do senhor durante a campanha de 2024. O senhor prometeu que, se reeleito, não iria renunciar ao mandato de prefeito para disputar as eleições de 2026. Por que mudou de ideia?
Não é que eu mudei de ideia. A conjuntura política do estado é que demonstra uma oportunidade para que eu possa colocar meu nome à disposição.
O que a gente tem feito em Vila Velha tem reverberado nos outros 77 municípios e hoje existe um movimento grande, de várias lideranças do estado, querendo que eu coloque meu nome à disposição para disputar em 2026.
Mas, para isso, o senhor teria que renunciar ao mandato de prefeito até o início de abril do ano que vem. E como ficaria Vila Velha?
Ficaria com o nosso vice, Cael (Linhalis, filiado ao PSB e pai do deputado federal Victor Linhalis).
É um homem preparado, foi concursado por mais de 30 anos da Caixa Econômica, superintendente no estado por mais de 15 anos, tem grande articulação com todos os poderes políticos do estado e capacidade técnica também.
Isso já foi comprovado não só pela Caixa, mas pela presidência da Cesan, quando ele saneou a Cesan e colocou a companhia para fazer importantes investimentos no estado inteiro.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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