A prova de fogo de Arnaldinho: vai renunciar ou não para disputar as eleições de 2026?
Prazo no fim
A prova de fogo de Arnaldinho: vai renunciar ou não para disputar as eleições de 2026?
Prefeito de Vila Velha é pré-candidato ao Palácio Anchieta, mas não descarta disputar o Senado. Para participar do pleito ele tem que tomar uma decisão difícil, que vai além do cargo escolhido
Publicado em 18 de Março de 2026 às 17:36
Públicado em
18 mar 2026 às 17:36
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB)Crédito: Ricardo Medeiros
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), é pré-candidato ao Palácio Anchieta, embora não descarte disputar o Senado. Para entrar na corrida eleitoral de 2026, seja qual for o cargo escolhido, entretanto, ele vai ter que renunciar ao mandato na cidade canela-verde até o dia 4 de abril. É uma exigência da lei eleitoral.
Arnaldinho vive, assim, dias decisivos. Abrir mão de dois anos e alguns meses de mandato garantidos para testar-se nas urnas, cujo resultado é incerto, não é pouca coisa.
O político canela-verde aproximou-se do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), adversário dos casagrandistas, mas recentemente deu uma pausa nas agendas públicas com o novo aliado.
Outra coisa que chamou a atenção foi que, no último sábado (14), o prefeito de Vila Velha apareceu ao lado do governador Renato Casagrande (PSB), durante a inauguração de uma estação de tratamento de esgoto na cidade.
De acordo com aliados de Arnaldinho, porém, a participação no evento foi "institucional": "Ninguém saiu de lá de mãos dadas".
A última segunda-feira (17) foi cercada de conjecturas a respeito de um eventual Dia do Fico, em que o prefeito de Vila Velha poderia anunciar a permanência no cargo e, consequentemente, a desistência de participar do pleito de 2026.
Uma reunião do secretariado municipal havia sido convocada.
Como contei no meu comentário na Rádio CBN Vitória na terça-feira (17), contudo, na reunião o recado transmitido à equipe foi o oposto.
Arnaldinho frisou que algumas obras importantes deveriam ser concluídas até o dia 2 de abril, ou seja, dentro do prazo em que ele ainda vai estar à frente do Executivo municipal.
E também tratou de ordens de serviço para outras obras, a serem entregues num futuro mais distante, sob a batuta do atual vice-prefeito, Cael Linhalis (PSDB). Arnaldinho, de acordo com um participante do encontro, até mencionou ao secretariado que "Cael é que vai tocar isso".
Em caso de renúncia de Arnaldinho, Cael é quem vai assumir a Prefeitura de Vila Velha, até 31 de dezembro de 2028.
RISCOS
Além do risco do resultado das urnas em si, afinal todo candidato pode perder ou ganhar, Arnaldinho tem vários fatores a sopesar.
Ao se aliar a Pazolini, quais são as reais chances de o prefeito de Vila Velha ser mesmo candidato ao Palácio Anchieta?
Pazolini, há tempos, é pré-candidato ao mesmo cargo.
Arnaldinho já disse que o combinado é os dois renunciarem aos atuais mandatos e, mais à frente, decidirem quem vai ser candidato ao governo e quem vai ser candidato ao Senado.
A não ser que pesquisas de intenção de voto apontem uma reviravolta, a preço de hoje Pazolini está mais consolidado e dificilmente recuaria da corrida pelo Palácio Anchieta em prol do colega canela-verde.
Arnaldinho ainda poderia disputar o Senado. Ele tem um grande capital político em Vila Velha, o que lhe confere certa vantagem.
Cabe lembrar, entretanto, que tradicionalmente os eleitores do Espírito Santo decidem o voto para senador em cima da hora e é preciso ter capilaridade, ir além de um município, para garantir a vitória.
O cenário para o Senado está um tanto volátil. A única aposta quase consensual é que uma das duas cadeiras de senador em disputa no estado deve ficar com Casagrande.
Isso quer dizer que todos os demais pré-candidatos estão concorrendo a apenas uma vaga.
Se ficar na prefeitura e não participar das eleições de 2026, por outro lado, o político canela-verde pode perder a oportunidade de surfar no auge da própria popularidade.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.