O ex-prefeito de Linhares
Guerino Zanon passou mais de 20 anos no MDB, partido que tem em sua origem a oposição à ditadura militar e que, nos últimos anos, passou a ser conhecido pelo governismo e pela maleabilidade com que se relaciona com quaisquer atores políticos.
De radical, o MDB não tem nada. E tampouco Guerino exibia tal perfil.
De lá pra cá, Guerino acirrou o discurso. Aos 66 anos, exaltou uma identidade conservadora que tem a ver com o histórico dele, marcado por cinco mandatos de prefeito.
Mas foi além. Agora, ele entoa gritos de guerra bolsonaristas e tenta ser o candidato do presidente da República no estado. "Bolsonaro e Guerino juntos", afirmou em discurso na convenção.
Guerino, no entanto, chegou atrasado. Não ao evento, mas, como os bolsonaristas gostam de dizer, à "narrativa".
Ainda assim, Guerino está, digamos, forçando a barra.
"O nosso governador socialista, comunista, está juntando todas as forças econômicas para lhe dar sustentação", bradou, ao discursar.
Bolsonaristas, via de regra, chamam qualquer opositor ou até mesmo críticos pontuais de comunistas.
O comunismo prega, por exemplo, o fim da propriedade privada. Como, então, "forças econômicas" estariam aliadas a isso?
Mas a análise aqui não é sobre a validade dos argumentos de Guerino e sim quanto à radicalização do discurso do político veterano:
"Sempre respeitei quem tem posições diferentes, mas os valores da família, da pátria, não vamos entregar a esses comunistas".
"Nossa bandeira nunca foi vermelha e não será", chegou a dizer o ex-prefeito de Linhares, repetindo um bordão da extrema direita.
"Acabou o ciclo no estado e no Brasil dessa esquerda vergonhosa", emendou.
Guerino, como candidato de oposição, tem feito críticas contundentes ao governador
Renato Casagrande (PSB) e é legítimo que o faça.
O ex-prefeito, por exemplo, aponta que o socialista – epíteto de quem integra o PSB – "guardou dinheiro" nos cofres do estado para gastar apenas em ano eleitoral.