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Sistema prisional

Advogados devem ter horário para visitar presos? MPES diz que sim. Julgamento é marcado

Tribunal de Justiça concedeu decisão provisória suspendendo trechos de portaria da Sejus. Mérito do caso entrou em pauta. A ideia é regulamentar a ida de advogados a presídios, por exemplo, ao estabelecer horários — das 7h às 20h, em dias úteis

Publicado em 02 de Outubro de 2023 às 18:00

Públicado em 

02 out 2023 às 18:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Presídio de Xuri, em Vila Velha
Presídio de Xuri, em Vila Velha Crédito: Fernando Estevão
Uma portaria da Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) publicada em maio causou controvérsia e o protesto de advogados no Espírito Santo. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) acionou o Judiciário e obteve uma decisão liminar (provisória) que suspendeu trechos da norma.
A ideia da Sejus é regulamentar a visita de advogados a internos do sistema prisional capixaba, por exemplo, ao estabelecer horários — das 7h às 20h em dias úteis — e a limitação para atuação daqueles que não têm procuração (três visitas por preso).
Nos bastidores, há a preocupação com "criminosos que têm OAB", como frisou uma fonte da secretaria à coluna, em referência a advogados que levam e trazem recados de presos para os cúmplices que estão em liberdade.
Obviamente, estes não são a maioria. Daí a irresignação da OAB-ES, que apontou violação às prerrogativas da advocacia.
Ainda em maio, o desembargador Telêmaco Antunes de Abreu Filho, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), concedeu liminar (decisão provisória) e suspendeu trechos da portaria.
A Sejus, impossibilitada, após a liminar, de aplicar as regras, decidiu suspender toda a norma, mas não desistiu dela. É que esta história não terminou. 
O mandado de segurança coletivo impetrado pela OAB-ES está pautado no Segundo Grupo de Câmaras Cíveis Reunidas do TJES para o próximo dia 11. Em questão, o mérito do caso.
A Procuradoria-Geral de Justiça, órgão máximo do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), emitiu parecer, em agosto, a favor da portaria da Sejus. 
"O estado do Espírito Santo, por meio de sua Secretaria Estadual de Justiça,  tão somente regulamentou o horário de movimentação interna dos custodiados nos estabelecimentos penais, no intuito de melhor garantir a segurança de presos, visitantes, advogados e servidores públicos", registrou, no parecer, a procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade.
O MPES, na peça, ainda sustentou que a medida está de acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de que “regulamentar a maneira segura de efetivação do direito de visita ao cliente não significa negar seu exercício, mas tão somente organizar a sua fruição para proporcionar segurança e eficiência”.
SECRETÁRIO DEFENDE PORTARIA
Secretário estadual de Justiça, André Garcia afirmou à coluna, nesta segunda-feira (2), que não desistiu de adotar a regulamentação. 
"Todo estabelecimento que guarda pessoas em liberdade segregada precisa ter regras. A portaria excepciona casos em que há necessidade de atendimento (após as 20h). A gente não está falando de um shopping", ressaltou.
"Restringir é impedir o acesso. O acesso é permitido, a questão é o horário e as circunstâncias "
André Garcia - Secretário estadual de Justiça
Garcia também é advogado. Ele é procurador do Estado de Pernambuco. 
“A OAB-ES ingressou com um mandado de segurança do Tribunal de Justiça e obteve uma liminar suspendendo a portaria que impedia que a advocacia criminal visitasse os seus clientes em horários à noite e nos finais de semana. Nós sabemos o quanto a advocacia trabalha de segunda a sexta e que prerrogativa não é privilégio, é direito do cidadão", afirmou o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho, em junho, ao comemorar a suspensão da portaria. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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