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Eleições 2022

Além da Cesan, Rigoni quer privatizar o Banestes, se eleito governador

Deputado federal marcou 2% das intenções de voto em pesquisa realizada pelo Ipec e divulgada no início de maio. Para ele, Casagrande "faz um governo chocho"

Publicado em 11 de Junho de 2022 às 02:10

Públicado em 

11 jun 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Felipe Rigoni
Felipe Rigoni, deputado federal Crédito: Carlos Alberto Silva
Pré-candidato ao governo do Espírito Santo, o deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil) já comprou briga com seu antigo partido, o PSB, entre outros motivos, devido ao projeto do marco do saneamento ambiental. O parlamentar defende o novo modelo de prestação desse serviço e tem alardeado aos quatro cantos, que, se eleito chefe do Executivo estadual, quer privatizar a Cesan.
Para ele, é o único jeito de universalizar o acesso ao saneamento básico, não apenas a rede e o tratamento de esgoto, mas também o fornecimento de água tratada no Espírito Santo. 
O deputado, apesar de ter sido eleito em 2018 pelo PSB, não é um homem de esquerda. Ao contrário, é de centro-direita e, para ele, privatização não é tabu.
Tanto que, se possível, ele não pararia na Cesan, defende ainda a privatização do Banestes, embora não considere essa venda tão urgente quanto a da companhia de saneamento.
"Não tem sentido um governo ter um banco comercial. O Banestes tem que ser privatizado enquanto vale alguma coisa porque banco com agência (estrutura física) não vai valer nada", avaliou.
Rigoni destaca que somente a folha de pagamento do setor público, que hoje está nas mãos do banco estadual, poderia render ao estado cerca de R$ 200 milhões por ano.
Questionado pela coluna se não teme patinar ainda mais nas pesquisas de intenção de voto ao defender privatizações, tema que historicamente não é bem recebido pela população brasileira, o deputado respondeu que não.
Ele diz que, no Espírito Santo, especificamente, não há tanta resistência. "As pessoas querem saneamento, não querem uma empresa de saneamento. Pergunta lá em São Pedro (bairro de Vitória que ficou sem água por vários dias) se eles são contra privatizar a Cesan", provocou.
Um argumento comum contra a privatização de companhias de saneamento é que uma empresa privada poderia não ter interesse, por falta de viabilidade econômica, em realizar o serviço em áreas pouco habitadas.
"Por isso tem que dividir o Espírito Santo em microrregiões, não necessariamente geográficas. A empresa privada vai ser obrigada a colocar rede até mesmo nos rincões. A parte viável da microrregião vai compensar a outra, menos viável. Aliás, é isso que prevê o novo marco regulatório do saneamento", defendeu.
"Tem cidade com três mil habitantes em que a empresa privada entra e dá certo", exemplificou.
Ele acredita que a Cesan não dá conta de universalizar o saneamento devido ao modelo adotado pela companhia.
"Um estudo da consultoria Inter B mostra que o custo para universalizar serviços de água e esgoto no Espírito Santo chega a R$ 9 bilhões. Diante disso, o lucro da Cesan fica ridículo. Mal dá para pagar a conta de energia", alfinetou.
Em 2021, o lucro da companhia foi de R$ 177,2 milhões.
"Não dá para continuar a mediocridade que é a Cesan, e olha que ela ainda é a melhor do Brasil (entre as não privatizadas)", pontuou.
Na última segunda-feira (6), em discurso num evento sobre investimentos na área do meio ambiente no Palácio Anchieta, o presidente da Cesan, Carlos Aurélio Linhalis, o Cael, agradeceu aos elogios que avalia que Rigoni tem feito à companhia. "Ele disse que é a melhor do Brasil, o que muito nos orgulha".
Embora diga que a resistência às privatizações no Espírito Santo não é tão acirrada quanto em outros estados, uma resistência é certa: a dos servidores da Cesan e do Banestes.
Em 2018, por exemplo, o Sindibancários-ES apresentou uma carta para ser assinada pelos candidatos ao governo do estado. No texto, eles se comprometiam a "manter o Banestes público e estadual" e, entre outros pontos, a "incluir na Constituição Estadual um plebiscito para consulta aos cidadãos sobre autorização ou não para eventual venda do Banestes".
O governador Casagrande foi um dos signatários da carta. Ele já disse, em setembro, à coluna que não pretende privatizar o Banestes. 
Mas uma parceria privada na Banestes Seguros já deu o que falar, por parte do sindicato.
Como o mercado bancário tem se digitalizado cada vez mais, como lembrou Rigoni, e o Banestes pode ficar para trás, o banco anunciou estudos para a criação de um banco 100% digital, como mostrou o colunista Abdo Filho.
Pode, no entanto, ser uma corrida inglória. "Como o Banestes vai concorrer com o Itaú, por exemplo?", questionou Rigoni.
"CASAGRANDE FAZ UM GOVERNO CHOCHO"
Ex-aliado de Casagrande, Rigoni passou, há algum tempo, a criticar a gestão estadual. Para ele, o governador "faz um governo chocho". "Não é um péssimo governador, mas é chocho, poderia estar fazendo muito mais", afirmou.
Lembrado de que 47%, de acordo com o Ipec, consideram a gestão ótima ou boa, tirou por menos: "Então 53% não acham ótima ou boa".
"Não quero fazer um governo de papel, igual ao do Renato. Ele assina ordem de serviço da contratação do projeto que vai um dia fazer alguma coisa. Inaugura a mesma coisa várias vezes", criticou.
Parece o tom adotado pelo ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que acusou Casagrande de "guardar dinheiro" para sair "como Silvio Santos" distribuindo dinheiro em ano eleitoral, principalmente por meio de convênios com prefeituras.
O governador já rebateu, disse que a "acusação de investir muito é uma boa acusação".
Rigoni concordou, mas pontuou: "Com certeza está havendo uso da máquina pública. Renato nunca viajou tanto para assinar os papéis dele. Não critico os investimentos, tem que investir mesmo, é o papel dele, critico a qualidade dos investimentos. Não pode só repassar dinheiro para as prefeituras, tem que ter critérios".
Rigoni apareceu, em pesquisa realizada pelo Ipec e divulgada em 2 de maio, com 2% das intenções de voto, à frente apenas de Aridelmo Teixeira (Novo), com 1%.
O pré-candidato acredita, no entanto, que nos próximos quatro meses – é o tempo que falta para a eleição – o quadro deve mudar. "Na campanha, com tempo para apresentar as propostas, vamos crescer", acredita.
Por enquanto, o União Brasil segue sozinho na empreitada, mas o deputado diz que vai conseguir siglas parceiras.
Está de olho no PSDB e vai chamar o PP e o MDB para conversar, adiantou. Os tucanos estão próximos de Casagrande, o PP já integra o governo e o MDB de Rose de Freitas quer o apoio do governador para a reeleição da senadora.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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