Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Eleições 2024

Amaro diz a Pazolini que pode ser candidato a prefeito de Vitória

Deputado federal apenas disputaria a PMV se Pazolini saísse do Republicanos, o que o prefeito não pretende fazer. Em jogo, estão a fome de cargos do partido e questões estratégicas

Publicado em 17 de Abril de 2023 às 02:10

Públicado em 

17 abr 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O secretário de Governo de Vitória, Aridelmo Teixeira, o deputado federal Amaro Neto, o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini e o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso
O secretário de Governo de Vitória, Aridelmo Teixeira, o deputado federal Amaro Neto, o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini e o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso Crédito: Instagram/@lorenzopazolini
Na última quinta-feira (13), o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, recebeu no gabinete o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, o deputado federal Amaro Neto, do mesmo partido, e o secretário municipal de Governo, Aridelmo Teixeira (Novo).
Oficialmente, o encontro foi para tratar da Reforma Tributária, tema debatido no Congresso Nacional e que deve impactar a cidade. Foi isso que o prefeito postou no Instagram. 
Em entrevista a esta colunista, Pazolini também ressaltou que a reforma foi a principal pauta da conversa. 
A coluna apurou, porém, que Amaro verbalizou, na reunião, estar disposto a ser candidato a prefeito da Serra ou... de Vitória. Já em 2024.
Ele já havia tratado do assunto com Erick Musso e, desta vez, externou a intenção ao próprio prefeito da Capital.
Pazolini está filiado ao Republicanos desde 2020, quando era deputado estadual e disputou a prefeitura pela primeira vez. 
O deputado federal somente concorreria ao comando do Executivo de Vitória se o atual prefeito saísse do partido. Pazolini disse à coluna que não pretende se desfiliar.
O domicílio eleitoral de Amaro é na Serra. Ele transferiu o título de eleitor para lá e ensaiou concorrer à prefeitura serrana em 2020.
Mas, na verdade, não mora nem em Vitória nem na Serra e sim em Vila Velha.
A conversa travada na última quinta-feira no gabinete de Pazolini ocorreu em um contexto em que filiados ao Republicanos acumulam queixas em relação ao prefeito, principalmente, após as eleições de 2022.
Muitos correligionários avaliam que ele não se esforçou o suficiente para eleger integrantes da sigla à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
Esse quadro, que, somado a outros fatores, resultou no isolamento político de Pazolini, já foi retratado neste espaço. 
O "desgosto eleitoral" de 2022 apenas aprofundou o desgaste que se acumulava devido ao fato de, segundo colegas de partido, "o prefeito não saber fazer política" ou "não saber/não gostar de usar a máquina".
Por "usar a máquina" entenda-se dar cargos e funções estratégicas a aliados e movimentar comissionados em prol da eleição de parceiros.
Em 2022, no máximo, isso foi feito em prol de Erick Musso, candidato, sem sucesso, ao Senado. 
Há um "quê" pouco republicano, ironicamente, nessa crítica feita por correligionários do prefeito. 
Pazolini não tem mesmo, democrática e tecnicamente falando, que abrigar na administração pessoas apenas por serem indicações partidárias e tampouco usar recursos humanos públicos para fins que não interessem ao conjunto da sociedade.
Antes que alguém acuse a coluna de "criminalizar a política", entendo que é legítimo que partidos sejam convocados a atuar nos governos que ajudaram a eleger. 
Desde que em prol da própria gestão e dos eleitores de todas as siglas, não apenas para fortalecer um projeto de poder.
Erick Musso presidiu a Assembleia Legislativa por seis anos, posto que garantia ao Republicanos espaço para emplacar filiados em cargos ligados à Mesa Diretora da Casa.
Desde 1º de fevereiro de 2023, esse é um espaço perdido. Motivo pelo qual a necessidade de abrigar comissionados na Prefeitura de Vitória tornou-se mais premente, na avaliação de republicanos consultados pela coluna.
PRIMEIRO ESCALÃO
O Republicanos já teve um nome forte no primeiro escalão de Pazolini. Então presidente estadual do partido, Roberto Carneiro foi secretário de Governo de janeiro a setembro de 2021.
No início de outubro daquele ano, ele assumiu a direção-geral da Assembleia Legislativa e passou a se dedicar à organização do partido para as eleições de 2022. 
Desde o final de 2021, o Republicanos está sem representante oficial no secretariado de Vitória. A legenda foi contemplada com indicações para cargos no segundo e terceiro escalões, mas segue insatisfeita.
Será que o Republicanos vai conseguir avançar nessa pauta? A coluna perguntou ao próprio Pazolini (veja mais abaixo).
ISOLAMENTO
O problema não se resume, entretanto, a cargos. 
Como já pontuado neste texto, integrantes do partido reclamam, há muito, que Pazolini "não sabe fazer política", consideram-no mais delegado (cargo do qual está licenciado na Polícia Civil) do que político.
Avaliam que o prefeito não interfere o máximo que poderia e, na avaliação destes, deveria, na Câmara de Vitória.
E que falta certo traquejo a Pazolini ao lidar com integrantes de outras legendas, instituições e Poderes.
Isso, aliás, membros de diversos grupos políticos também já observaram à coluna. Para disputar a reeleição, Pazolini precisa se articular melhor.
Embora o Republicanos tenha se afastado do governador Renato Casagrande (PSB) – Erick Musso até ensaiou disputar o Palácio Anchieta contra o socialista –, o prefeito de Vitória, justamente por estar à frente da segunda maior vitrine política do Espírito Santo, não deveria ter antagonizado tanto com o chefe do Executivo estadual.
Pazolini chegou a acusar, sem exibir as supostas provas, "uma autoridade" de fazer-lhe, no Palácio Anchieta, certa proposta indecorosa que envolvia fraude a licitação. O caso foi arquivado pela Procuradoria-Geral da República.
MUDANÇA DE ROTA
Desde o início de 2023, Lorenzo Pazolini tem alterado a rota política que havia tomado.
Para começar, revelou à coluna, em 1º de fevereiro, que havia iniciado um movimento de "reconstrução" na relação com Casagrande.
E, na última quinta-feira, afagou o Republicanos ao receber as principais lideranças da legenda no gabinete. O convite para a reunião partiu do prefeito.
PAZOLINI: "AMARO TEM CONDIÇÕES DE DISPUTAR"
Em entrevista à coluna, na sexta-feira (15), Pazolini fez questão de ressaltar Reforma Tributária, mobilidade urbana e emendas parlamentares como os assuntos discutidos entre ele, Aridelmo, Amaro e Erick Musso na quinta.
Embora eu tenha ouvido de fontes fidedignas que o deputado federal deixou bem claro que poderia disputar a prefeitura da Serra ou até a de Vitória, a depender do andar da carruagem até 2024, o prefeito afirmou não ter conhecimento sobre isso:
"Não tenho conhecimento, mas ele (Amaro Neto) tem condição de ser candidato em qualquer município do Espírito Santo. Na Serra, em Vitória... ele tem representatividade popular, tem voto, é conhecido. Mas não tratei desse assunto".
Amaro somente disputaria em Vitória se o atual prefeito saísse do Republicanos, como volta e meia é especulado.
"São diálogos infundados. Nunca cogitei sair do Republicanos e nunca fiz movimentação nesse sentido"
Lorenzo Pazolini (Republicanos) - Prefeito de Vitória
O prefeito não disse se pretende ou não disputar a reeleição. Afirmou estar focado em administrar a cidade e que não é hora de discutir essa possibilidade.
A coluna acredita, contudo, que ele vai, sim, concorrer a mais um mandato. Dificilmente alguém, a esta altura do campeonato, confirmaria isso, faz parte do jogo. Mas um mandatário não brigar por recondução é coisa rara.
Acontece? Acontece. Sérgio Meneguelli (Republicanos) não tentou permanecer na prefeitura de Colatina em 2020. Paulo Hartung (sem partido), pendurou as chuteiras em 2018. Mas são casos pontuais.
A coluna também quis saber se o prefeito de Vitória pretende fazer uma espécie de reforma administrativa para abrigar aliados do Republicanos no primeiro escalão. 
"Isso (a configuração da equipe) avaliamos mensalmente. Tento encaixar a formação com a atribuição. Não podemos colocar uma pessoa que não tem aptidão para o cargo", respondeu Pazolini.
Mas a porta não está fechada.
"Posso colocar alguém no primeiro escalão que o Republicanos indicar, desde que a pessoa tenha formação e aptidão para a função. A gente precisa encontrar esses nomes, já que o principal objetivo é a prestação de serviço à sociedade", complementou o prefeito.
Ainda em entrevista à coluna, ele avaliou que a relação com o próprio partido "é a melhor possível".
"As críticas são naturais. Em 2022, eu não fui candidato a nada e administrei a cidade em um cenário pandêmico. Fiz um grande esforço na campanha do Erick (ao Senado). Percorri o estado, aos finais de semana, à noite. Eu me empenhei pessoalmente pelo candidato em que eu acreditava. Faltou tempo para atender a todos, mas agora é conversar e tentar conciliar", pontuou Pazolini.
OS PLANOS DE AMARO NETO
Deputado federal Amaro Neto preside a Comissão de Comunicação da Câmara
Deputado federal Amaro Neto preside a Comissão de Comunicação da Câmara Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Questionado sobre a reunião da última quinta-feira com o prefeito de Vitória, Erick Musso e Aridelmo, Amaro Neto disse à coluna que foi um encontro para tratar de "conjuntura política e reforma tributária".
"Ele (Pazolini) não quis falar de eleição de Vitória", completou, brevemente, o parlamentar.
Mas o fato é que Amaro movimenta-se, sim, para ser candidato a prefeito da Serra ou, quem sabe, de Vitória. Estaria disposto até a concorrer contra Pazolini, se este tentasse a reeleição por outro partido.
Em 2024, o deputado federal ainda vai ter mais dois anos de mandato pela frente na Câmara. Se não for eleito, não vai ficar na planície.
O capital político do deputado federal caiu de 2018 para 2022, é verdade. Ele, que havia recebido 181.813 votos na eleição anterior, foi reeleito com 52.375 no ano passado. Pazolini não se engajou na campanha do parlamentar.
A eleição para prefeito, cabe ressaltar, é diferente. Tem uma exposição muito maior, seja na Serra ou em Vitória. Logo, Amaro Neto, que também é apresentador de TV, pode ser um páreo duro de bater.
A coluna também tentou falar com Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Novos radares na Rodovia José Sete, entre Alto Lage e o Terminal de Itacibá.
Pode ter radar sem placa de aviso? Veja o que diz a lei
Trio é indiciado por golpe com prejuízo de R$ 130 mil a idoso em Venda Nova do Imigrante
Trio é indiciado por golpe que causou prejuízo de R$ 130 mil a idoso em Venda Nova
Célio Cabral Loura, foi morto a tiros em uma chácara em Córrego do Perdido
Primo de ex-prefeito é assassinado a tiros após cavalgada em Ibatiba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados